O Arranha-Céu — Festival de Circo Atual realiza sua quarta edição entre os dias 4 e 8 de março, no Espaço Cultural Renato Russo, na 508 Sul. Com o tema “Solos do Picadeiro”, a programação aposta em experiências intimistas e concentra no corpo do artista a potência criativa da cena circense. Ao longo de cinco dias, o público poderá assistir a quatro espetáculos solos, participar de oficinas, acompanhar uma sessão de filmes e integrar um colóquio.
A proposta curatorial gira em torno de criações com uma única pessoa em cena, formato que potencializa a relação direta com a plateia. Segundo a organização, o recorte evidencia a força dos espetáculos solos como expressões consistentes do circo contemporâneo, ressaltando o corpo como linguagem, criação e encontro. A diversidade de técnicas integra a programação, com malabarismo com piões, lira aérea, contorcionismo e música.
Para Julia Henning, uma das organizadoras do festival, o recorte revela uma dimensão autobiográfica nas obras. “Podemos ver um pouco de biográfico em cada espetáculo. Não necessariamente a partir de fatos reais, mas em uma construção dramatúrgica que vem, a partir do próprio corpo do artista, contar a sua história. Isso pode aproximar o público do artista, em uma espécie de cumplicidade”, afirma.
Ela também destaca a singularidade técnica da edição. “Temos uma particularidade: são espetáculos com uma única modalidade circense, ou seja, no espetáculo da Natasha vemos a contorção, no espetáculo do Emerson o malabarismo com pião, no da Luiza a lira aérea e na intervenção da Lívia a música, elementos que, na estrutura clássica, costumam estar juntos em um espetáculo de circo, mas que aqui aparecem a partir da pesquisa pessoal de cada artista”, explica.
A edição culmina no Dia Internacional da Mulher e reúne atrações com direção feminina, além de contar com uma equipe majoritariamente composta por mulheres.
Formação e intercâmbio
Além dos espetáculos, o festival promove duas oficinas, com 20 vagas cada, ministradas na Vila Telebrasília. As inscrições começaram em 24 de fevereiro e têm valores acessíveis. Informações sobre retirada de ingressos para oficinas, apresentações e filmes serão divulgadas no perfil oficial do festival nas redes sociais.
A iniciativa busca ampliar o espaço formativo dentro do evento. “A ideia é criar um espaço de formação no festival, aproveitando a vinda dos artistas de outras partes do Brasil. Assim, promovemos um intercâmbio mais próximo com os artistas locais que tem a oportunidade de ter a experiência completa de assistir o espetáculo e saber um pouco sobre suas ferramentas de criação”, afirma Julia.

Desafios estruturais
Apesar da consolidação da proposta artística, a realização do festival enfrenta entraves estruturais. “Temos especificidades técnicas e de altura do pé-direito e a cidade está carente de equipamentos culturais que comportem um evento deste porte. Além disso, não temos política de ações continuadas que estimulem a realização de eventos com periodicidade anual, estamos sempre enfrentando a possibilidade de não ter financiamento, o que é uma pena pois vemos o grande interesse do público no festival”, ressalta a organizadora.
Ao apostar na intimidade do solo e na centralidade do corpo como dispositivo narrativo, o Arranha-Céu brilha como linguagem artística múltipla e espaço de encontro, abrindo o picadeiro para experiências sensíveis e autorais.
Serviço
Arranha-Céu — Festival de Circo Atual
Quando: 4 a 8 de março
Onde: Espaço Cultural Renato Russo, na 508 Sul, e Cia Miragem, na Vila Telebrasília
