O pré-candidato ao Governo do Distrito Federal, José Roberto Arruda (PSD), fez duras críticas à condução da crise financeira envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e às contas públicas do Distrito Federal, em entrevista exclusiva ao Jornal Opção. Segundo ele, as medidas adotadas pela governadora Celina Leão (PP) para garantir recursos destinados à recuperação da instituição financeira podem trazer consequências para o futuro das finanças do DF.
Ao comentar a celebração do acordo firmado para viabilizar recursos ao BRB, Arruda afirmou ter ficado surpreso com a postura do governo. “Fiquei perplexo ao ver uma pessoa deixar a liturgia do cargo de lado para comemorar. Nunca vi algo parecido. Estamos falando de um banco que perdeu valor e de uma situação que exige responsabilidade, não comemoração”, declarou.
Arruda defendeu a manutenção do BRB como banco público e de fomento, mas criticou o que considera uma estratégia de apenas adiar os problemas. Para ele, seria necessário promover uma reestruturação mais profunda da instituição, incluindo a ampliação do uso de recursos do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO), revisão da expansão do banco para outros estados e redução de despesas consideradas não prioritárias. “Precisamos devolver o BRB ao povo de Brasília. O banco precisa voltar a cumprir seu papel de fomentar o desenvolvimento local e atender à população do Distrito Federal”, ponderou.
Arruda também questionou a estratégia de expansão adotada pelo banco nos últimos anos. Segundo ele, o BRB se afastou de sua vocação original ao abrir agências em estados distantes do Distrito Federal, incluindo unidades no Piauí e até presença internacional em Nova York. O pré-candidato ainda criticou os investimentos em patrocínios esportivos, especialmente para clubes de futebol do Rio de Janeiro, além da manutenção de salas VIP em aeroportos destinadas a autoridades e agentes políticos. Na avaliação dele, esses recursos deveriam estar concentrados no fortalecimento da instituição e no atendimento à população do Distrito Federal.
O ex-governador também questionou os impactos de longo prazo do acordo firmado para socorrer o BRB, afirmando que medidas que limitem investimentos, reajustes salariais e nomeações no serviço público por vários anos seriam inviáveis. “Isso não é um acordo. É uma rendição. Nenhum governo consegue ficar uma década sem investir, sem valorizar servidores ou sem convocar concursados”, completou.
Rombo financeiro
Arruda também associou a situação do BRB ao que classificou como uma crise mais ampla das finanças do Governo do Distrito Federal. O pré-candidato citou o apontamento de um déficit bilionário nas contas públicas e disse que o cenário exige atenção. “No mesmo dia em que havia comemoração pelo acordo do BRB, surgia a informação de um rombo de cerca de R$ 5 bilhões nas contas do GDF. É um valor muito expressivo, equivalente a todo o orçamento anual da educação do Distrito Federal”, argumentou.
Segundo ele, a situação financeira herdada da gestão de Ibaneis Rocha (MDB) representa um desafio para os próximos governos e exigirá medidas de ajuste e reorganização das contas públicas. “Infelizmente, o que nos espera é um GDF desestruturado e com dificuldades financeiras. Será preciso muita união e responsabilidade para reorganizar as contas e construir um novo ciclo de desenvolvimento para Brasília”, disse.
