O Governo do Brasil lançou, nesta segunda-feira (4), o Prêmio Nacional Vozes Periféricas no Palácio do Itamaraty, em Brasília. A iniciativa, criada pela Secretaria-Geral da Presidência da República (SGPR), por meio da Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) e da Secretaria Nacional de Diálogos Sociais e Articulação de Políticas Públicas, visa reconhecer e fortalecer coletivos culturais que atuam com batalhas de rima, slams e saraus em todo o país.
Serão premiados 100 agentes culturais organizados em coletivos que tenham prestado relevante contribuição ao desenvolvimento artístico ou cultural do território nacional, realizando de forma regular essas expressões no ano de 2025. Cada premiação será de R$ 30 mil, totalizando R$ 3 milhões. O projeto é uma parceria com a Organização de Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) e garante que ao menos um coletivo seja contemplado por estado brasileiro.
Com foco na juventude e nos territórios populares, a iniciativa prevê bonificações para grupos majoritariamente compostos por pessoas negras, mulheres, indígenas, quilombolas e povos tradicionais. O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, destacou a presença de embaixadores da periferia no Itamaraty e enfatizou que o prêmio representa o reconhecimento do Estado pela cultura periférica, substituindo a criminalização por políticas de estímulo.
“Mais que um prêmio, é um reconhecimento. É o Estado brasileiro reconhecendo e valorizando aquilo que vocês fazem […] e dizendo que isso não pode ser criminalizado”, afirmou Boulos.
O diretor da OEI no Brasil, Rodrigo Rossi, reforçou que a premiação eleva a escala dessas expressões artísticas e simboliza a centralidade das periferias nos debates públicos. A secretária nacional de Juventude, Vitória Genuíno, pontuou que o edital responde à necessidade de dialogar com juventudes que produzem arte e resistência fora dos modelos tradicionais, valorizando sua organização e substituindo a criminalização por políticas públicas.
O secretário adjunto de Diálogos Sociais, José Lício Júnior, descreveu o edital como um “cartão de visita” que conecta o Estado aos que atuam nos territórios. A cerimônia contou com a presença da ministra da Igualdade Racial, Raquel Barros, reforçando o caráter intersetorial da política.
As inscrições para o Prêmio Nacional Vozes Periféricas estão abertas até o dia 18 de maio. Os coletivos interessados devem ter prestado contribuição relevante ao desenvolvimento artístico local e mantido atuação regular.
