A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (26), a Operação Instituto Amigo para investigar suspeitas de fraudes na execução de contratos relacionados à administração de hospitais de campanha durante a pandemia de Covid-19 em cidades do país, entre elas Luziânia e Formosa, no Entorno do Distrito Federal.
Segundo a PF, os contratos investigados ultrapassam R$ 160 milhões e teriam sido firmados em 2020, período mais crítico da crise sanitária, quando municípios adotaram medidas emergenciais para ampliar o atendimento a pacientes com Covid-19.
A operação mobilizou cerca de 45 policiais federais para o cumprimento de 15 mandados de busca e apreensão, além de medidas de constrição patrimonial, como bloqueio de valores e apreensão de bens. As ordens judiciais são cumpridas nos estados de Goiás, Minas Gerais e São Paulo.
As investigações apontam indícios de irregularidades em contratos custeados com recursos públicos destinados ao enfrentamento da pandemia. Entre as suspeitas apuradas estão possível simulação de propostas comerciais, inconsistências na execução contratual e direcionamento de verbas públicas por meio de contratos emergenciais.
Os investigados poderão responder por crimes como fraude na execução contratual, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e outras condutas correlatas.
Esta não é a primeira vez que Luziânia aparece em investigações da Polícia Federal relacionadas ao uso de recursos federais destinados ao combate à Covid-19. Em abril de 2023, o ex-prefeito e atual deputado estadual Cristóvão Vaz Tormin (PRD) foi alvo de mandados de busca e apreensão durante a Operação Últimos Atos, que investigava contratos firmados nos últimos dias da gestão municipal de 2020.
Na ocasião, a PF apontou indícios de superfaturamento em um contrato firmado com uma empresa de Goiânia para fornecimento de testes de Covid-19. Conforme divulgado à época, a prefeitura teria pago cerca de R$ 1,95 milhão, mas apenas 3.850 testes teriam sido entregues, quantidade estimada em pouco mais de R$ 500 mil.
Outro contrato investigado envolvia a produção de vídeos institucionais sobre ações de enfrentamento da pandemia. Segundo a Polícia Federal, também havia indícios de inconsistências na execução do serviço, apesar dos pagamentos realizados pela administração municipal.
Sobre a operação desta terça-feira, a defesa de Cristóvão Tormin afirmou que “conforme consta nas informações oficiais divulgadas pela própria Polícia Federal, não há qualquer menção nominal ao ex-prefeito Cristóvão Vaz Tormin como investigado”.
