Marechal mantém 147 ônibus fora da vida útil em circulação no DF; veículos chegam a 13 anos de uso

Por Cintia Ferreira

A Viação Marechal mantém em circulação no Distrito Federal 147 ônibus que já ultrapassaram o limite máximo de vida útil previsto para operação no transporte público. Alguns dos veículos têm até 13 anos de uso e seguem rodando mesmo após excederem em até seis anos o prazo estabelecido em contrato.

Os coletivos fazem parte das safras de 2013 e 2014 e atendem linhas que circulam por regiões como Ceilândia, Taguatinga, Guará e Estrutural. Segundo estimativas da Secretaria de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal (Semob-DF), os veículos acumulam entre 900 mil e 1 milhão de quilômetros rodados.

Pelas regras do sistema de transporte coletivo do DF, ônibus classificados como “Básico” podem operar por, no máximo, sete anos. Após esse período, a substituição da frota passa a ser obrigatória.

Os dados constam em um relatório de requerimento de informações da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana (CTMU) da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), divulgado neste mês.

De acordo com o cronograma apresentado anteriormente pela concessionária, 170 novos ônibus equipados com ar-condicionado deveriam substituir a frota antiga até o dia 30 de abril deste ano. No entanto, apenas 23 veículos novos entraram efetivamente em operação, deixando pendente a substituição de outros 147 ônibus previstos no plano de renovação.

Em nota, a Semob-DF afirmou que a renovação da frota atrasou devido à demora da encarroçadora CAIO na entrega dos novos veículos.

Segundo a pasta, diante da possibilidade de prejuízo à operação do transporte público, a área técnica autorizou uma nova prorrogação excepcional da vida útil operacional da frota antiga até 31 de dezembro de 2026. “A retirada imediata dos ônibus poderia provocar prejuízo direto à continuidade do transporte público nas regiões atendidas pela concessionária”, informou a secretaria.

O histórico da renovação da frota revela uma sequência de adiamentos ao longo dos últimos anos. Em 2023, a Viação Marechal operava com 478 ônibus cadastrados, sendo 326 deles já fora da validade contratual.

Naquele período, a concessionária apresentou um cronograma prevendo a entrega escalonada de 377 veículos novos até dezembro de 2024. Os prazos, porém, não foram cumpridos e acabaram sendo prorrogados novamente pelo Governo do Distrito Federal.

A última extensão do prazo ocorreu por meio da Decisão nº 297/2025, que fixava o limite final de substituição para abril deste ano. Agora, com o novo atraso, a autorização excepcional foi estendida até o fim de 2026.

Apesar da idade avançada da frota, a Semob afirma que os veículos passam por vistorias periódicas a cada 60 dias úteis para garantir condições mínimas de segurança e operação.

Mesmo assim, usuários relatam frequentemente problemas estruturais, falhas mecânicas e sujeira nos ônibus operados pela empresa. Veículos da frota chegaram a ser flagrados circulando com adesivos de vistoria periódica da Semob com validade estendida até dezembro de 2026.

Outro ponto que chamou atenção no relatório enviado à Câmara Legislativa é a ausência de dados individualizados sobre a quilometragem dos ônibus em circulação. A própria Semob reconheceu oficialmente que não possui controle detalhado da rodagem de cada veículo.

No documento encaminhado ao Legislativo, a pasta afirmou que a estimativa de quilometragem foi elaborada pela Subsecretaria de Operações (SUOP), “ressalvada a indisponibilidade de dados detalhados de quilometragem” individualizados da frota.

O relatório também revela que uma resposta inicial encaminhada pela secretaria à Câmara Legislativa não contemplava todos os questionamentos feitos pelos parlamentares. Diante da omissão, a Casa Civil determinou o retorno do processo à Semob para complementação das informações solicitadas.

A manutenção dos ônibus antigos em circulação reacende o debate sobre a qualidade do transporte público no Distrito Federal e a fiscalização do cumprimento dos contratos de concessão.

Apesar do descumprimento do cronograma de renovação da frota, a Semob informou que decidiu não aplicar a cláusula contratual que prevê rescisão do contrato da concessionária. Segundo a pasta, a medida buscou evitar redução da oferta de ônibus e possíveis impactos diretos aos passageiros que dependem diariamente do sistema coletivo.

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