O Sebrae no Distrito Federal deu início, na noite da última quarta-feira, 26 de agosto, ao segundo ciclo de 2026 do ALI Produtividade, programa que acompanha micro e pequenas empresas na identificação de problemas, adoção de melhorias e desenvolvimento de estratégias para ampliar produtividade e competitividade. O encontro Ponto de Virada, realizado no Sebraelab, reuniu empresários, agentes locais de inovação e profissionais envolvidos na execução da iniciativa.
Com cerca de 150 participantes, a programação foi estruturada em três momentos: apresentação do programa e de seus objetivos, compartilhamento de experiências de empresas que participaram do ciclo anterior e uma palestra sobre os impactos da Reforma Tributária na gestão dos pequenos negócios. O encerramento abriu espaço para relacionamento entre os participantes.
Criado em 2008, o ALI nasceu no Distrito Federal como projeto-piloto do Sebrae e posteriormente foi incorporado à atuação da instituição em todo o país. A proposta é levar o agente local de inovação para dentro das empresas para identificar gargalos e construir, junto ao empresário, inovações que possam melhorar processos, gestão e resultados. Mais de 20 mil empresas já passaram pelo programa desde sua criação.
Durante a abertura, a diretora técnica do Sebrae no DF, Diná Ferraz, destacou justamente a característica de acompanhamento próximo do programa. Para ela, o trabalho do ALI parte da realidade de cada empreendimento e busca transformar dificuldades em ações de melhoria.
“O ALI é um movimento, um programa em que o agente vai para dentro da sua empresa para ajudar você a enxergar como melhorar o seu empreendimento. Ele vai olhar para a gestão do negócio de maneira sistêmica e sustentável. Esse é o papel do Sebrae: concretizar sonhos e melhorar os negócios para que sua empresa funcione cada vez melhor”, pontuou a diretora.
A gestora do ALI Produtividade no DF, Rosimeyre Prado, explicou que o segundo ciclo começou em julho, quando os agentes passaram a atuar na seleção de novas empresas. A expectativa é acompanhar aproximadamente 400 empreendimentos ao longo do ciclo, número semelhante ao registrado anteriormente. O programa conta com 20 agentes e empresários podem registrar interesse de participação pela página ALI Produtividade.
Segundo Rosimeyre, o encontro tem uma função que vai além da apresentação formal do programa. É o primeiro momento coletivo dos empresários dentro da jornada e serve para aproximá-los da metodologia, dos agentes e dos demais participantes, além de proporcionar contato com temas relevantes para 2026.

“Nós queremos que o empresário se sinta pertencente ao projeto desde o início. Embora os agentes já estejam acompanhando as empresas, esse momento coletivo é importante para apresentar a vivência ALI, promover conexão entre os empresários desse ecossistema e estimular o engajamento para as próximas etapas”, explicou.
Resultados compartilhados
A programação contou com um painel de depoimentos conduzido pela consultora sênior Simone Cavadas, reunindo empresários e agentes que participaram do ciclo anterior. A iniciativa permitiu apresentar situações em que o acompanhamento do ALI provocou inovação na gestão e mudança nos indicadores dos negócios. Entre os casos apresentados estavam empresas que registraram avanços expressivos em produtividade, além de melhorias em processos internos e na relação com os clientes.
Os exemplos incluíram a Dama & Cia Creche e Hotel, que alcançou quase 500% de crescimento em produtividade durante o ciclo, e a Confiança Mercado Autônomo de Alimentos, que passou a realizar pesquisas estruturadas com clientes e chegou a 92,5% de recomendação, ao mesmo tempo em que registrou aumento de 119,2% na produtividade.
No histórico recente do programa, os indicadores também mostram crescimento entre as empresas atendidas. De acordo com Rosimeyre, os negócios acompanhados no primeiro ciclo de 2025 registraram, em média, 14,2% de aumento de faturamento e 30,6% de aumento de produtividade.
Para a agente local de inovação Karyna Scucuglia, que acompanha empresários do novo ciclo, uma das questões mais recorrentes identificadas no início do trabalho está relacionada à gestão financeira. Segundo ela, o contato mais próximo com os empreendedores permite perceber dificuldades que nem sempre aparecem de forma evidente quando a empresa é analisada apenas pelos resultados.
“A questão financeira é o coração da empresa. A dificuldade com a contabilidade, na verdade, eu penso que é o afastamento. Por ser um serviço visto praticamente como emissão de guia, isso acaba sendo um terror para os empresários, e existe essa dificuldade de entender qual é a função efetiva da contabilidade. Como contadora, eu prego sempre que a contabilidade seja consultiva, que seja de instrução para os empresários”, afirmou.
Karyna já realizou o diagnóstico inicial das empresas acompanhadas por ela e deverá aprofundar, nos próximos encontros, o mapeamento dos principais gargalos de cada negócio. Entre os empresários acompanhados estão Marcos Soares, da Poti Marketing Digital, e as sócias Liz Nakahara e Eliane Castelo, da Iellou.

Da operação à gestão
Para Marcos Soares, a participação no ALI ocorre em um momento em que a Poti já tem domínio técnico sobre seus serviços, mas precisa avançar na estrutura empresarial. Programador e desenvolvedor, ele começou a carreira em agências de publicidade e, depois, passou a atuar como freelancer. A experiência mostrou a dificuldade de depender exclusivamente da entrada de novos projetos.
Começou a estudar estruturação empresarial, análise de mercado, concorrência, processos e posicionamento. A partir daí, escolheu concentrar a atuação da Poti no setor de saúde e ampliou o portfólio da empresa, que hoje trabalha com desenvolvimento de sistemas, Business Intelligence, automação, inteligência artificial, tráfego pago e outros serviços. Também passou a trabalhar com contratos recorrentes, buscando maior previsibilidade para a operação.
Agora, segundo Marcos, o desafio está menos na capacidade de entrega e mais na organização das áreas comercial, financeira e administrativa. “Hoje, sinto que minha maior dificuldade já não está na parte operacional. Eu domino desenvolvimento, tecnologia, criação de soluções, automação, inteligência artificial e a entrega para o cliente. O meu maior desafio está em estruturar os processos da empresa principalmente nas áreas de prospecção, vendas e organização financeira. Estou pronto para atrair clientes mais qualificados e gerar contratos maiores”, disse.
O caso da Iellou também está relacionado a uma mudança de fase. A empresa completa dez anos de trajetória e passou por uma reconfiguração com a entrada de Liz Nakahara na sociedade. Eliane Castelo explicou que a nova composição permitiu uma divisão mais clara das responsabilidades, com maior concentração de seu trabalho na área criativa e de branding. Ao mesmo tempo, a sociedade passou a identificar lacunas na gestão financeira e na organização dos processos internos.
“Para mim, design é função, e não apenas arte. Faço identidades visuais e estou sempre me aperfeiçoando, estudando, lendo e buscando entender o mercado. Minha preocupação sempre foi entender a dor e a necessidade do cliente antes de desenvolver qualquer entrega. Agora, nessa nova fase da empresa, percebo a necessidade de profissionalizar o negócio, e essa foi uma das principais razões para procurarmos o ALI’’, ponderou Eliane.
Liz também apontou a organização interna como prioridade para o novo ciclo. A expectativa é compreender melhor os pontos de vulnerabilidade da empresa para criar condições de expansão sem comprometer a operação.
“Nosso principal objetivo é escalonar os produtos oferecidos em nosso estúdio. Temos ciência da qualidade da nossa entrega, sabemos o potencial de crescimento, mas precisamos seguir o caminho certo para evoluir sem deixar nenhum setor desfalcado. O ALI veio desta necessidade, para entendermos onde podemos melhorar e crescer buscando manter a empresa de forma economicamente saudável e mantendo a essência que nos é característica”, ponderou Liz.
Reforma Tributária entra na agenda do ciclo
A programação também dedicou uma hora à palestra “A experiência que transforma mudanças tributárias em vantagem competitiva”, conduzida pelo contador, empreendedor e especialista em Reforma Tributária Paulo Cassiano Nunes da Silva, sócio-fundador da PCN Contabilidade. A proposta foi discutir como as mudanças no sistema tributário poderão interferir em custos, processos, planejamento financeiro e competitividade das empresas.

A escolha do tema faz parte da estratégia do próprio ALI para este ciclo. Segundo Rosimeyre, o programa procura incorporar assuntos que representem desafios concretos para os empresários. Depois de trabalhar inteligência artificial no ciclo anterior, a equipe optou pela Reforma Tributária como uma das prioridades atuais.
Para quem tem dúvidas sobre este tema, o Sebrae no DF disponibilizará uma ferramenta de simulação que permite ao empresário comparar cenários a partir de informações sobre atividade, faturamento e tributos pagos atualmente.
Ainda para Diná Ferraz, este tema deve ser tratado como parte da rotina de gestão, e não apenas como uma questão contábil. “Em breve esse atendimento voltado para orientar empreendedores sobre a melhor maneira de administrar a empresa nesse momento de transição estará disponível. Vamos ter uma simuladora muito eficiente, que fará uma avaliação geral para ajudar interessados a entenderem o que é melhor para a empresa”, disse.
Interessados devem buscar orientação nas unidades do Sebrae no DF, no SIA, Asa Norte ou Taguatinga, para acessar a ferramenta e analisar os possíveis impactos das mudanças sobre cada negócio.
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Créditos das Notícias Sebrae DF
