Comunicadores da Igreja Católica são homenageados em sessão solene
Evento destacou a atuação voluntária da Pastoral da Comunicação em atividades de divulgação, como filmagem, fotografia, produção de conteúdos para redes sociais e jornalismo
A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) comemorou, nesta segunda-feira (18), o 60º Dia Mundial das Comunicações, data celebrada pela Igreja Católica, internacionalmente, em 17 de maio. A solenidade em plenário foi uma iniciativa dos deputados João Cardoso (PL) e Paula Belmonte (PSDB).
O Dia Mundial das Comunicações propõe reflexões sobre o papel dos meios de comunicação na promoção da informação, da integração social e dos valores humanos. A edição deste ano traz o tema “Preservar vozes e rostos humanos”, com foco nos impactos da inteligência artificial sobre as relações humanas e os processos de comunicação. Neste domingo (17), durante a oração do Regina Caeli, no Vaticano, o papa Leão XIV encorajou todos a se empenharem em promover formas de comunicação que “respeitem sempre a verdade do homem, para a qual orienta toda inovação tecnológica”.
Durante os pronunciamentos em plenário, foi dado destaque especial para a atuação da Pastoral da Comunicação (Pascom), que é formada por voluntários, conhecidos como pasconeiros. Eles atuam em diversas atividades de divulgação, como filmagem, fotografia, produção de conteúdos para redes sociais e jornalismo.
Na abertura da solenidade, o deputado João Cardoso argumentou que a data é um momento para pensar o papel da comunicação na vida humana, na evangelização e na construção de uma sociedade mais justa, fraterna e verdadeira. “A Pascom tem sido uma graça na Igreja. Lá a gente vê como a coisa é bem divulgada. A comunicação verdadeira continua vindo do encontro entre as pessoas”, apontou o parlamentar.
O deputado disse ainda que a inteligência artificial “pode trazer muitas coisas ruins” e que a mensagem do Papa é um convite a refletirmos sempre sobre a tecnologia. “Comunicação não é só transmitir a informação, é aproximar as pessoas. Não apenas pelas redes sociais, mas com convívio pessoal na igreja, nos grupos e nas pastorais para que possamos construir verdadeiras pontes, levando esperança, promovendo a verdade e fortalecendo as comunidades”.
Já a deputada Paula Belmonte enfatizou “o trabalho fundamental da Pascom para que mais pessoas possam enxergar a luz, seja num panfleto ou no instagram”. A deputada também destacou a importância da evangelização e relacionou o trabalho dos pasconeiros ao dos 12 discípulos. “Trazer a palavra de Jesus pra vida da gente: essa comunicação é fundamental”, pontuou a distrital.
Em sintonia com o posicionamento do Papa Leão XI, que defende que os avanços tecnológicos sejam guiados por princípios humanos e ético, a assessora de imprensa da Arquidiocese de Brasília, Júlia Campos, ressaltou a importância do senso crítico e da responsabilidade para os comunicadores das Pascom. “Até que ponto essa agilidade da IA é benéfica na evangelização? Isso nos coloca para avaliar nosso senso de responsabilidade. Não é só uma mais foto ou story, mas uma mensagem que pode resgatar aquela pessoa do buraco que estava vivendo”, ponderou a assessora.
Já o apresentador e locutor da Rede Canção Nova, Ronaldo Gonçalves, relembrou como a participação em um grupo de jovens influenciou sua atuação profissional. “Cheguei com 15 anos e eu nem falava. Foi uma leitura na missa que destampou minha boca, meus lábios, ouvidos e coração para me tornar um comunicador, posteriormente”, afirmou Gonçalves.
Comunicação Humanizada
Segundo o assessor eclesiástico da Pascom, Padre Lucas Felipe, a solenidade de hoje mostra que, há 60 anos, a Igreja Católica compreendeu que os meio de comunicação não eram apenas instrumentos tecnológicos, mas espaços de encontro, de formação de consciência e de transformação social.
“Somos chamados a olhar sobre o nosso tempo e perguntar: que tipo de comunicação estamos construindo? Nunca estivemos tão conectados, mas nunca foi tão urgente aprendemos a comunicar de forma verdadeiramente humana. Comunicar é construir pontes, é falar com respeito e reponsabilidade, é dar voz a quem, muitas vezes permanece invisível. Na Pascom, aprendemos diariamente que comunicar é evangelizar, mas também humanizar”, afirmou o clérigo.
A coordenadora arquidiocesana da Pastoral da Comunicação, Isabele Cardia, por sua vez, comentou como a pandemia de Covid 19 foi um divisor de águas. “As transmissões ao vivo, as celebrações e mensagem de esperança de nossos sacerdotes aproximaram os fiéis de Deus e de suas paróquias”, relembrou. De acordo com Isabele, a mensagem do papa não significa negar a inovação, mas “de orientá-la como o coração”.

Antes da entrega de moções de louvor àqueles que se destacaram pela divulgação e fortalecimento de ações pastorais, o Padre André Marinho de Souza, diretor Rádio Nova Aliança, reiterou que Sua Santidade não estava criticando as novas tecnologias, mas sim teria feito um alerta sobre a ausência de mecanismos de segurança que preservem a “essência e a dignidade humana”. De Souza acrescentou que o Papa anunciou que publicará sua primeira encíclica com o tema da “salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial”. O documento, que se chama Magifica humanitas será publicado em 25 de março.
Com Informações da Câmara Legislativa DF
