“Desgoverno e bagunça”: Arruda critica gestão do DF e promete “resgatar Brasília”

O candidato ao Governo do DF, José Roberto Arruda (PSD) voltou ao cenário eleitoral do Distrito Federal com um discurso de mudança na gestão e críticas à administração de Celina Leão (PP). Ele apresenta como principais bandeiras a reestruturação do Banco de Brasília (BRB), redução de gastos com cargos comissionados, ampliação do metrô, mudanças no Iges-DF, investimentos em saneamento e convocação de servidores aprovados em concursos públicos.

A situação do BRB aparece entre as principais preocupações do candidato. Arruda compara o banco a um “doente na UTI” e questiona o pedido da instituição para adiar a divulgação do balanço financeiro para depois das eleições. Ele trabalha com a possibilidade de um impacto entre R$ 6,6 bilhões e R$ 20 bilhões e critica a condução do governo diante da crise.

Como alternativa, propõe fechar as 19 agências do BRB fora do Distrito Federal, criar um Programa de Desligamento Voluntário (PDV) e reduzir despesas com publicidade, patrocínios esportivos e outros gastos considerados não essenciais. A recuperação do banco, na avaliação do candidato, também dependeria de uma reaproximação entre o Palácio do Buriti e o governo federal.

Críticas à saúde

Na saúde, o Iges-DF é um dos principais alvos das críticas. O modelo de gestão é classificado por Arruda como ineficiente e marcado, segundo ele, por indicações políticas. A proposta é reduzir cargos considerados administrativos ou políticos e direcionar os recursos para a contratação de profissionais da saúde. Entre as metas apresentadas estão a contratação de mil médicos, a criação de 150 equipes de Saúde da Família e a construção de novas unidades no Recanto das Emas, São Sebastião e Sol Nascente.

A estratégia também prevê a revisão da estrutura administrativa do governo. O argumento é que a redução de cargos comissionados poderia abrir espaço para ampliar o atendimento direto à população.

Metrô no lugar de subsídios

Na mobilidade, a proposta é alterar o modelo de financiamento do transporte público. Arruda considera elevado o volume de recursos destinados anualmente às empresas de ônibus e defende que parte desse dinheiro seja direcionada à expansão da rede metroviária.

A meta apresentada é ampliar o metrô para regiões como Ceilândia, Sol Nascente, Gama e Santa Maria, além de melhorar a conexão com municípios do Entorno.

O plano inclui ainda a implantação do VLT na W3, a retomada do projeto Interbairros e a construção de um Anel Rodoviário para retirar o tráfego de veículos pesados das áreas urbanas.

Segurança e ocupações

Para a segurança e o ordenamento territorial, a proposta é adotar uma política mais rígida contra ocupações irregulares e construções em áreas protegidas.

Arruda defende a retirada de ocupações próximas à Universidade de Brasília e em outras áreas consideradas irregulares. Também propõe mudanças na política de atendimento à população em situação de rua, com transferência do Centro Pop, ampliação de estruturas de acolhimento e criação de espaços destinados à recuperação de dependentes químicos.

O discurso também inclui maior presença policial em áreas centrais e combate ao avanço da criminalidade.

Saneamento e proteção dos mananciais

A expansão da infraestrutura básica é apresentada como uma das prioridades. O plano prevê investimentos em redes de água, esgoto e drenagem, principalmente nas regiões administrativas com menor cobertura.

Na área ambiental, a proposta inclui a retirada de construções irregulares em áreas de mananciais e a retomada do projeto do Parque Burle Marx, na Asa Norte.

A ideia é vincular a expansão do saneamento à redução das desigualdades entre as regiões do Distrito Federal.

Concursados

No funcionalismo, Arruda promete convocar servidores aprovados em concursos públicos logo no início de uma eventual gestão. Entre as prioridades estão cerca de 3,3 mil profissionais da educação que, segundo ele, aguardam nomeação.

A medida é apresentada como parte de uma política de valorização dos servidores concursados e de reforço das áreas consideradas essenciais.

‘Resgatar Brasília’

Ao defender o retorno à política, Arruda aposta na experiência acumulada durante os períodos em que comandou o Distrito Federal e tenta apresentar sua candidatura como alternativa à continuidade da atual administração.

O ex-governador também sustenta estar elegível para disputar as eleições de 2026 e diz ter cumprido os prazos previstos na Lei da Ficha Limpa. Sobre os processos judiciais que marcaram sua trajetória política, reconhece erros do passado e afirma ter “pago caro” por eles.

A estratégia eleitoral é construída sobre a ideia de mudança na administração do DF, com críticas à gestão atual e um pacote de medidas voltadas principalmente para saúde, transporte, infraestrutura, segurança e redução de despesas. “Eu ofereço a minha experiência, de cara limpa, para resgatar Brasília e a minha história”, declarou.

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