A Escola Salesiana São Domingos Sávio, no Núcleo Bandeirante, celebrou no último sábado, 30 de maio, a feira de culminância do Programa Jovens Empreendedores Primeiros Passos (JEPP). A iniciativa é promovida com o apoio do Sebrae no Distrito Federal, desde 2022, e tem como foco cultivar a mentalidade empreendedora em estudantes do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental, buscando desenvolver, de forma prática e interdisciplinar, habilidades como criatividade, autonomia, planejamento, protagonismo e educação financeira.
Para viabilizar o evento, os educadores da instituição foram capacitados pelo Sebrae no DF com o objetivo de se tornarem agentes multiplicadores da metodologia do JEPP, levando para a sala de aula o conhecimento sobre o mundo dos negócios e motivando os alunos a vivenciarem na prática o ciclo completo de criação e operação de uma pequena empresa.
A diretora da escola, Verônica Borba, celebrou a parceria de cinco anos com o Sebrae e o alcance do JEPP entre os estudantes. “Essa parceria é motivo de muito orgulho e crescimento para nós. O programa é voltado para o Ensino Fundamental, mas toda a nossa escola, da Educação Infantil ao Ensino Médio, esteve engajada neste ano. Caminhando pelos corredores, já percebo mudanças nos nossos alunos. Muitos já me procuraram dizendo que querem ser empreendedores. Evoluímos nesses cinco anos, mas ainda há um longo caminho pela frente”, afirmou a dirigente escolar.
Um dos educadores a atuar como multiplicador da metodologia do JEPP na escola foi o professor do 6º ano do Ensino Fundamental, Tobias Teles. A partir do tema soluções sustentáveis ele acompanhou os estudantes na criação de um bazar de roupas. “Houve opções diversas, mas os alunos queriam trilhar um caminho diferente das demais turmas. Com isso, fomos atrás de doações de famílias, amigos e conhecidos e percebemos que quase todo mundo tinha uma roupa sem uso há muito. Estruturamos o negócio com esse propósito e está sendo um sucesso”, contou o educador.

A estratégia da turma foi organizada em três frentes: marketing, vendas e financeiro. Enquanto o primeiro grupo ficou responsável por divulgar a feira, o segundo cuidou da curadoria das peças doadas, registro fotográfico e precificação dos itens. O terceiro grupo de estudantes administrou os custos e orçamentos. Além disso, para envolver o público antes do dia do evento, Tobias e os alunos desenvolveram uma loja virtual com apoio de ferramentas de Inteligência Artificial (IA). “O mais bacana de todo esse processo não é apenas o resultado financeiro. Ver talentos ocultos sendo despertados e perceber o comprometimento de cada um é o mais incrível de toda essa jornada”, observou Tobias.
Entre os envolvidos no projeto de criação do bazar estava Cecília Carvalho, de 11 anos. Ela integrou a equipe de marketing do bazar, desafio que encarou com certa naturalidade, por já ser a responsável pelo Instagram criado e mantido pelos estudantes do 6º Ano para divulgar as atividades. “Neste ano, resolvi ficar no marketing. Gravamos vídeos, tiramos fotos dos produtos e divulgamos tudo a partir da estratégia de preço justo”, comentou a estudante.
Cecília também participou da construção da loja virtual, ajudando na descrição dos itens colocados à venda e intensificando a divulgação. A experiência para ela, no entanto, foi além dos números e da tecnologia, podendo ser resumida pelo trabalho em equipe, aspecto que aproximou colegas que, até então, pouco dialogavam. “Foi legal trabalhar com meus colegas, ter uma convivência maior. Eu consegui conversar mais com alguns colegas que eu não conseguia antes. Foi muito legal esse projeto para a gente ter mais convivência um com o outro”, avaliou.

O pai de Cecília, Floriano Carvalho, elogiou a continuidade do programa nos últimos anos e ressaltou a relevância de experiências práticas que vão além do ensino tradicional. Ele acredita que essas vivências são fundamentais para a formação de jovens e adolescentes, permitindo que eles compreendam a dinâmica do mundo real e desenvolvam habilidades essenciais para o futuro.
“Para os nossos jovens, participar de projetos como esse é muito importante. É essencial, pois proporciona a oportunidade de se envolverem ativamente e entenderem a vida adulta no contexto do empreendedorismo. Essas experiências ajudam a moldar seu comportamento e a prepará-los para os desafios que a vida sempre fornece no dia a dia”, analisou Floriano, que é contador e já atuou como consultor do Sebrae no DF.
Com ampla experiência no suporte a empresários, o pai de Cecília também reconheceu o papel desempenhado pelo Sebrae na educação empreendedora desde a infância. “O Sebrae faz um trabalho excepcional junto aos empreendedores, tanto os estabelecidos quanto os que ainda desejam se estabelecer. Não são todas as escolas que oferecem oportunidades para as crianças terem contato com atividades empreendedoras. Crescer sabendo que isso existe é muito valioso. Essa base de conhecimento adquirida na infância é fundamental para o futuro”, complementou o pai de Cecília.
A realização da feira empreendedora ainda foi bem avaliada por duas novas educadoras da Escola Salesiana São Domingos Sávio. Para Lorena Ferreira, atual coordenadora da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I, ter a experiência com o JEPP foi uma surpresa ao ver que o impacto do programa vai muito além do evento final, permeando todo o processo de aprendizagem dos pequenos. Segundo ela, o envolvimento das crianças revela um amadurecimento precoce e uma nova forma de enxergar a escola.
“Estou maravilhada de ver o alcance que o JEPP tem. Não só no dia da culminância, mas tudo o que aconteceu durante o desenvolvimento do ano letivo até o momento. É fantástico ver os nossos estudantes desenvolvendo esse protagonismo e também o espírito empreendedor”, explicou ela.

Para Susani Oliveira, coordenadora do Ensino Fundamental II e Ensino Médio, a experiência com o programa também trouxe surpresas significativas. Embora já conhecesse as ações da iniciativa do Sebrae de outra escola em que trabalhou, sua nova posição permitiu uma visão mais aprofundada do impacto real da educação empreendedora nos alunos.
“O JEPP atua como um verdadeiro catalisador de responsabilidade. Os estudantes já assumem grandes responsabilidades por conta de outras atividades do currículo da escola, mas o empenho que eles desempenham e a forma como eles levam a sério o programa é uma experiência que não tinha vivenciado. Eles assumem o papel de protagonistas mesmo”, destacou Susani.
Uma surpresa em meio à feira
A realização da feira na escola salesiana também representou um momento especial para a professora Thabata Gabriela de Queiroz, que iniciou as celebrações de seu 27º aniversário durante o evento promovido na escola. Após receber uma homenagem de turmas do 4º e do 5º Ano do Ensino Fundamental, ela falou das satisfação ao ver no dia a dia a evolução e o empenho de seus estudantes com os projetos desenvolvidos ao longo do ano.

Thabata ainda destacou o orgulho de compartilhar o momento com a turma e o impacto positivo do aprendizado prático. “Todos são alunos maravilhosos e muito dedicados. Esse ano eles vieram para fazer sucesso na feira. Fizeram tudo com muito capricho e dedicação e seguirão desenvolvendo o hábito de empreender e compreendendo, desde cedo, o valor do dinheiro”, concluiu a educadora.
Créditos das Notícias Sebrae DF
