Exoneração na Sedes expõe disputa silenciosa entre Celina Leão e grupo de Ibaneis

A exoneração de Jackeline Couto Canhedo da Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal (Sedes-DF), publicada nesta sexta-feira (22) no Diário Oficial do DF, foi interpretada nos bastidores do Palácio do Buriti como mais um gesto de autonomia política da governadora Celina Leão (PP), em relação ao grupo do ex-governador Ibaneis Rocha.

Jackeline era considerada um nome próximo de Ibaneis e da ex-primeira-dama Mayara Noronha Rocha. A então secretária integrou o mesmo escritório de advocacia do ex-governador ao lado de Mayara e de Ana Paula Marra, ex-titular da Sedes e atualmente ligada ao grupo político do MDB no DF.

Nos bastidores do governo, integrantes da base avaliam que Celina tenta fortalecer uma identidade administrativa própria, mesmo diante do discurso público de reaproximação com aliados do ex-governador. A leitura é de que a governadora busca ampliar espaço político e reduzir a dependência de quadros diretamente vinculados a Ibaneis.

A Secretaria de Desenvolvimento Social é considerada uma das áreas mais estratégicas do GDF por concentrar programas sociais e políticas de assistência voltadas à população em situação de vulnerabilidade. Durante a gestão Ibaneis, a pasta ganhou protagonismo sob influência de Mayara Noronha, que teve forte atuação nas ações sociais do governo.

Para o lugar de Jackeline, Celina nomeou Giselle Ferreira, que até então comandava a Secretaria da Mulher. Professora da rede pública do DF, Giselle já esteve à frente da Secretaria de Esporte e Lazer entre 2020 e 2022 e ocupava a pasta da Mulher desde janeiro de 2023.

A troca é vista dentro do governo como um movimento estratégico de reorganização política e administrativa às vésperas do início das articulações para as eleições de 2026.

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