Favela Sounds celebra 10 anos com programação gratuita que reúne artistas internacionais

Brasília recebe, até este sábado (1), a programação comemorativa de 10 anos do Favela Sounds, festival que consolidou a capital federal como um dos principais polos da cultura periférica no país. Com atividades distribuídas entre o Ordinário Bar, a Birosca do Conic e a Praça do Museu Nacional da República, o evento reúne shows, debates, mentorias, rodadas de negócios e showcases, valorizando artistas locais, nacionais e internacionais. A programação principal acontece nos dias 31 de julho e 1º de agosto, com entrada gratuita mediante retirada de ingressos.

Ao longo de duas noites, o Palco Petrobras recebe 19 apresentações inéditas que transitam por diferentes sonoridades das periferias, como rap, trap, funk, samba, tecnobrega, singeli e música eletrônica. A edição também promove encontros entre artistas brasileiros e nomes de destaque da cena eletrônica da Tanzânia e de Uganda, reforçando a proposta do festival de conectar a produção cultural das periferias brasileiras com movimentos urbanos de diferentes partes do mundo.

Foto: Divulgação

Embora celebre uma década de trajetória, esta será a nona edição do Favela Sounds. Paralelamente aos shows, o Favela Talks chega à quinta edição, entre os dias 29 e 31 de julho, reunindo debates, LAB de Mentorias, Rodadas de Negócios e apresentações de artistas da música periférica do Distrito Federal. As noites de showcases, realizadas no Ordinário Bar e na Birosca do Conic, apresentam 12 artistas do DF, do Brasil e do exterior, também com entrada gratuita.

Para o diretor artístico do festival, Guilherme Tavares, o crescimento do Favela Sounds acompanha a vocação de Brasília para sediar grandes eventos culturais em espaços públicos. Segundo ele, o festival contribuiu para transformar áreas da cidade em ambientes de criação artística e convivência, apesar dos desafios estruturais enfrentados pela produção cultural na capital.

“O Favela Sounds se tornou o maior festival gratuito de Brasília e, além disso, o maior festival de cultura periférica do país. Isso tem grande significado porque o que a cidade mais possui são espaços públicos amplos, muitas vezes desocupados e distantes de uma vida urbana mais intensa, que podem ser transformados em territórios criativos, mesmo que por poucos dias.”

Tavares destaca que a realização de festivais na cidade exige a montagem completa da infraestrutura a cada edição, o que aumenta os custos e exige constante articulação para viabilizar o evento. Ainda assim, ele avalia que iniciativas como o Favela Sounds ajudam a fortalecer o calendário cultural da capital e ampliar o reconhecimento de Brasília como destino de grandes festivais.

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Foto: Divulgação

“É claro que isso traz muitos desafios. Brasília praticamente não tem casas de show, então cada edição de um festival começa do zero. Toda a estrutura precisa ser montada diretamente do chão, com custos elevados e um eterno recomeço. É papo de guerrilha e resistência cultural mesmo. Ainda assim, acreditamos muito na vocação da cidade para ocupar seus espaços públicos com arte, música, dança, teatro e outras manifestações culturais.”

O diretor também ressalta que o festival integra uma rede de eventos que defendem a democratização do acesso à cultura por meio da gratuidade e considera que essa característica fortalece a imagem de Brasília no cenário nacional.

Além do impacto cultural, o Favela Sounds movimenta diferentes setores da economia local. De acordo com Tavares, festivais desse porte beneficiam hotéis, bares, restaurantes, companhias aéreas, motoristas de aplicativo, comerciantes e diversos prestadores de serviço, demonstrando que o investimento em cultura também gera desenvolvimento econômico.

“Manter um festival gratuito é um desafio enorme, porque toda a viabilidade depende da captação de patrocínios. Não existe receita de bilheteria para equilibrar as contas. Mesmo assim, é uma enorme satisfação contribuir, ano após ano, para o fortalecimento da cena criativa de Brasília e para projetar a cidade nacional e internacionalmente por meio da cultura.”

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Foto: Divulgação

Entre as atrações da programação está a rapper Ciça, que sobe ao palco no dia 1º de agosto. Para a artista, a apresentação marca um momento especial de sua trajetória e será acompanhada por um espetáculo preparado especialmente para o festival.

“Eu estou preparando um show tão maravilhoso, mas, tipo assim, tão incrível que eu espero mesmo que as pessoas gostem. Eu estou levando as minhas dançarinas, então tá sendo algo bem massa, assim, que eu tô muito ansiosa.”

Ciça também afirma que participar de um festival como o Favela Sounds representa um reconhecimento importante para sua carreira e para sua atuação dentro da cultura hip-hop. “Eu fico muito honrada. Acho que, como é o meu sonho e desde sempre foi ser lembrada positivamente, ser lembrada como alguém que está sendo relevante, está fazendo coisas boas para essa cultura maravilhosa que é o rap, que é o hip-hop, para mim é muito importante e muito maravilhoso.”

Outra atração confirmada para o dia 1º de agosto, a rapper Stefanie também celebra a oportunidade de integrar a programação do festival. Com mais de duas décadas de trajetória no hip-hop, a artista afirma que sua caminhada pessoal transformou a forma como produz sua música, sem que isso alterasse o propósito que a levou ao rap.

“A vida vai apresentando obstáculos e vai fazendo a gente crescer. E a gente traz isso pra arte também.”

Segundo a cantora, a essência de sua produção permanece ligada ao compromisso de utilizar a música como ferramenta de expressão e reflexão. “O que permanece é a raiz. A vontade de transformar através da música, de falar o que precisa ser falado. O rap pra mim é isso: colocar nas letras o que me deixa indignada. Meu desabafo.”

Stefanie avalia que as mudanças mais significativas aconteceram em sua própria trajetória, refletindo diretamente na maneira como ocupa seu espaço dentro da cultura hip-hop. “O que mudou foi eu. Minha consciência, minha postura. Cada vez mais eu entendo o meu lugar de fala.”

Ao comparar o início da carreira com o momento atual, a artista destaca o amadurecimento pessoal e profissional conquistado ao longo dos anos. “Em 2004 eu estava aprendendo, gritando pra ser ouvida. Hoje eu falo de outro lugar, de mulher, de mãe, de uma artista que conseguiu conquistar o seu espaço. Mais firme, mais inteira. A essência é a mesma, mas a mulher é com certeza outra.”

Serviço
Favela Sounds 10 anos
29 de julho (quarta-feira), às 17h – Ordinário Bar
Noite de Abertura + Favela Talks – Noite de Showcases
30 de julho (quinta-feira), às 19h – Birosca do Conic
Favela Talks – Noite de Showcases
31 de julho (sexta-feira), das 18h às 3h30 – Praça do Museu Nacional da República
Favela Sounds – O Baile (Palco Petrobras)
1º de agosto (sábado), das 18h às 3h30 – Praça do Museu Nacional da República
Favela Sounds – O Baile (Palco Petrobras)
Ingressos: gratuitos, mediante retirada antecipada pelo Sympla
Classificação indicativa: 18 anos.

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