Júri de chacina em Planaltina encerra fase de testemunhas e avança para interrogatório dos réus

O Tribunal do Júri de Planaltina encerrou, na noite desta terça-feira (14), a fase de oitivas de testemunhas no julgamento dos cinco acusados de participar da chacina que deixou dez pessoas da mesma família mortas, incluindo três crianças, entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023.

Ao longo do segundo dia de julgamento, foram ouvidas 12 testemunhas, entre elas o delegado responsável pelas investigações, além de parentes e pessoas próximas às vítimas. Somando os dois primeiros dias, 18 testemunhas prestaram depoimento — seis na segunda-feira (13) e 12 nesta terça. Das 23 inicialmente convocadas, cinco foram dispensadas.

Os réus são Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, Carlomam dos Santos Nogueira, Fabrício Silva Canhedo e Carlos Henrique Alves da Silva. Eles respondem por uma série de crimes, como homicídio qualificado, extorsão, roubo, sequestro, constrangimento ilegal, fraude processual, corrupção de menores e ocultação de cadáver.

O julgamento foi retomado nesta quarta-feira (15) pela manhã, com o interrogatório dos acusados. Em seguida, acontecem os debates entre acusação e defesa. Ao final, os jurados votam em sala secreta, e o juiz responsável pelo caso profere a sentença. A previsão é de que o júri seja concluído até sexta-feira (17).

O caso

Os crimes ficaram conhecidos como a maior chacina da história do Distrito Federal. Segundo a Polícia Civil, o assassinato das dez vítimas teve como motivação a disputa por uma chácara de 5,2 hectares, avaliada em cerca de R$ 2 milhões, localizada na região do Paranoá. Antes mesmo das mortes, o terreno já era alvo de disputa judicial.

De acordo com as investigações, os criminosos teriam planejado eliminar toda a família para evitar a existência de herdeiros e, assim, assumir a posse da propriedade para vendê-la posteriormente.

Dinâmica dos crimes

O caso começou em 12 de janeiro de 2023, quando a cabeleireira Elizamar Silva, de 39 anos, desapareceu junto com os três filhos pequenos após sair de casa para buscar o marido, Thiago Gabriel Belchior, de 30 anos.

No dia seguinte, o carro da família foi encontrado incendiado, com quatro corpos dentro, nas proximidades de Cristalina (GO), no Entorno do Distrito Federal.

Nos dias seguintes, outros familiares também desapareceram: os pais de Thiago, Marcos Antônio Lopes de Oliveira e Renata Juliene Belchior, além da irmã dele, Gabriela Belchior. O veículo de Marcos Antônio foi localizado carbonizado com dois corpos, posteriormente identificados como os de Renata e Gabriela.

Além disso, também desapareceram Cláudia Regina Marques de Oliveira, ex-companheira de Marcos Antônio, e a filha do casal, Ana Beatriz Marques de Oliveira.

O corpo de Marcos Antônio foi encontrado enterrado e esquartejado próximo a um cativeiro usado pelos criminosos, em Planaltina. Já no dia 17 de janeiro, a polícia localizou os últimos três corpos, identificados como sendo de Thiago Belchior, Cláudia Regina e Ana Beatriz.

Quem são as vítimas

As vítimas da chacina são:

  • Elizamar Silva, 39 anos, cabeleireira;
  • Thiago Gabriel Belchior, 30 anos;
  • Rafael da Silva, 6 anos;
  • Rafaela da Silva, 6 anos;
  • Gabriel da Silva, 7 anos;
  • Marcos Antônio Lopes de Oliveira, 54 anos;
  • Renata Juliene Belchior, 52 anos;
  • Gabriela Belchior, 25 anos;
  • Cláudia Regina Marques de Oliveira, 54 anos;
  • Ana Beatriz Marques de Oliveira, 19 anos.

Crimes e penas previstas

De acordo com a denúncia do Ministério Público, os acusados respondem por diversos crimes, cujas penas podem variar conforme a condenação:

  • homicídio qualificado: 12 a 30 anos de prisão;
  • extorsão: 4 a 10 anos;
  • roubo: 4 a 10 anos;
  • sequestro: 2 a 8 anos;
  • constrangimento ilegal: 3 meses a 1 ano;
  • fraude processual: 3 meses a 2 anos;
  • corrupção de menores: 1 a 4 anos;
  • ocultação e destruição de cadáver: 1 a 3 anos.

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