*Por Cintia Ferreira
Investigações da Polícia Federal indicam que imóveis de alto padrão negociados pelo ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, estão no centro de um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.
De acordo com as investigações, o empresário Daniel Vorcaro teria oferecido seis imóveis de luxo em Brasília e São Paulo, avaliados em cerca de R$ 146 milhões, como forma de gratidão caso Paulo Henrique Costa conseguisse viabilizar a compra de um banco pelo BRB. As apurações indicam que os bens seriam repassados como contrapartida pelo suposto apoio na negociação, que agora é alvo das autoridades.
Na capital federal, dois empreendimentos chamam a atenção nas investigações. O Residencial Ennius Muniz, no Noroeste, aparece nas conversas interceptadas. Localizado em frente ao Parque Burle Marx, o prédio reúne unidades de alto padrão, com metragens que variam de 291 m² a 590 m² e valores a partir de R$ 4 milhões.
Já no Setor Habitacional Jardim Botânico, o empreendimento Valle dos Ipês, ainda em construção, também é citado. O condomínio terá apartamentos entre 147 m² e 414 m², com área de lazer completa e previsão de entrega para 2028. O local fica a cerca de cinco minutos da Ponte JK. Os valores das unidades não foram divulgados.
Em São Paulo, também são mencionados empreendimentos de luxo em regiões valorizadas. O Edifício Heritage, no Itaim Bibi, possui unidades que chegam a 1.036 m², com valores estimados entre R$ 39,5 milhões e R$ 50 milhões.
Já o Edifício Arbórea, localizado na Avenida Cidade Jardim, oferece apartamentos que podem alcançar até 1.070 m², com preços que variam de R$ 22,5 milhões a R$ 200 milhões.
De acordo com a Polícia Federal, os imóveis eram utilizados como estratégia para ocultar a origem dos recursos, em um modelo considerado sofisticado de lavagem de dinheiro. A posse dos bens, segundo a investigação, era mantida de forma indireta, com uso de empresas e estruturas que dificultavam a identificação dos reais beneficiários.
A apuração faz parte da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema envolvendo corrupção, lavagem de dinheiro e negociações suspeitas no sistema financeiro. As suspeitas incluem operações bilionárias entre o BRB e o Banco Master, com indícios de irregularidades na aquisição de carteiras de crédito.
Decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) aponta que o pagamento de vantagens indevidas teria sido previamente combinado e realizado por meio da entrega desses imóveis, caracterizando uma forma de propina disfarçada.
Além de Paulo Henrique Costa, o advogado Daniel Monteiro, apontado como um dos responsáveis por montar o esquema de propina do Caso Master.
