Por Cintia Ferreira
O prazo anunciado pelo Governo do Distrito Federal GDF e pelo Banco de Brasília BRB para concluir a capitalização da instituição financeira e divulgar os balanços consolidados de 2025 termina nesta terça-feira (30). No entanto, a expectativa é de que nenhuma das duas medidas seja efetivada dentro do cronograma divulgado pelas próprias autoridades.
A recomposição do patrimônio do banco depende da conclusão de uma operação de crédito estimada em R$ 6,6 bilhões, negociada pelo GDF com apoio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Embora o governo afirme que está pronto para assinar o contrato, a operação ainda aguarda a finalização de trâmites entre as instituições financeiras responsáveis pelo financiamento e pelo aval da operação.
Sem a conclusão desse processo, o BRB também deve adiar novamente a divulgação de seus demonstrativos financeiros, represados desde que vieram à tona os desdobramentos da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.
O atraso na divulgação dos balanços ocorre em meio aos impactos financeiros provocados por operações realizadas entre o BRB e o Banco Master. O Banco Regional de Brasília chegou a negociar a compra da instituição controlada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mas a aquisição acabou sendo barrada pelo Banco Central. Apesar disso, entre 2024 e 2025, o BRB realizou negociações que somam cerca de R$ 30 bilhões envolvendo ativos do Master.
Segundo estimativas da própria instituição financeira, aproximadamente R$ 8,8 bilhões em créditos adquiridos apresentam indícios de inexistência, fraude ou baixa possibilidade de recuperação.
Na prática, esses ativos podem gerar perdas relevantes para o patrimônio do banco, tornando necessária uma capitalização para recompor os índices exigidos pelos órgãos reguladores.
Governo afirma que depende apenas das instituições financeiras
Em nota divulgada nesta terça-feira, a Secretaria de Economia do Distrito Federal, sob o comando de Valdivino de Oliveira, informou que a operação está em fase final de ajustes junto ao sindicato de bancos responsável por conceder o aval da transação e ao Fundo Garantidor de Créditos, que financiará o empréstimo ao governo.
Segundo a pasta, o Executivo distrital já concluiu sua parte no processo. “O governo já está pronto para assinar o contrato, mas depende dos trâmites das instituições financeiras envolvidas e não há prazo legal para sua conclusão”, informou a Secretaria de Economia.
A operação foi construída com participação do Supremo Tribunal Federal STF, do Ministério da Fazenda, do Banco Central, do FGC e das instituições financeiras que atuarão na garantia do financiamento.
Promessas de divulgação não foram cumpridas
Desde quando a então governadora Celina Leão (PP) tomou posse na Câmara Legislativa do Distrito Federal, ela garantiu dar transparência ao banco regional. Mas de lá para cá, nenhuma medida e informação foi apresentada da real situação da instituição, a não ser, durante a reunião no STF, que se apresentou números suscintos. No fim de maio, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, afirmou que os balanços financeiros seriam apresentados até 30 de junho.
Na ocasião, ele declarou que a expectativa era divulgar os demonstrativos já incorporando todas as movimentações realizadas pelo banco ao longo do período. A expectativa é apresentar os balanços até 30 de junho, já incorporando as operações e movimentações realizadas pelo banco ao longo do período até o momento.
Também em junho, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, afirmou que a operação poderia ser concluída cerca de 15 dias após a aprovação legislativa necessária.
O Banco do Brasil exigiu que passasse pela Câmara Distrital. “Nós aprovamos nesta terça-feira. E eu acho que o prazo é mais ou menos esse, mais uns 15 dias”, afirmou a governadora em entrevista concedida no último dia 13.
O prazo, porém, termina nesta terça-feira (30) sem a formalização do acordo.
Juros e condições seguem indefinidos
Além da assinatura do contrato, outro ponto considerado essencial para a conclusão da operação ainda permanece sem definição pública: as condições financeiras do empréstimo.
O presidente do BRB afirmou anteriormente que ainda eram discutidas questões como a taxa de juros e a apresentação de um plano de negócios capaz de demonstrar que os recursos serão suficientes para garantir a sustentabilidade financeira da instituição.
Segundo ele, o banco precisa comprovar que o aporte será capaz de assegurar a continuidade das operações de forma permanente. É importante que o BRB apresente um plano de negócio para avaliar se esse valor é suficiente para a perenização do banco, e é isso que está sendo feito, declarou.
No mercado financeiro, entretanto, especialistas lembram que as condições de uma operação dessa natureza são definidas pelos credores. Caso os termos negociados fiquem distantes das práticas de mercado, as instituições responsáveis pela garantia da operação ainda podem exigir alterações antes da assinatura definitiva.
