Professores anunciam paralisação e protesto contra acordo que prevê socorro bilionário ao BRB

O Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF) anunciou uma paralisação da categoria para esta quinta-feira (11), em protesto contra o acordo firmado pelo Governo do Distrito Federal (GDF) para viabilizar a recuperação financeira do Banco de Brasília (BRB). A mobilização, organizada em conjunto com a Central Única dos Trabalhadores do Distrito Federal (CUT-DF) e outras entidades sindicais, prevê um ato em frente ao Palácio do Buriti a partir das 9h30.

Segundo o sindicato, o acordo aprovado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) e homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) permitirá ao BRB acessar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Em contrapartida, o GDF terá de cumprir metas de ajuste fiscal que, de acordo com as entidades, podem resultar em cortes de gastos públicos e restrições orçamentárias.

As entidades afirmam que as medidas podem impactar diretamente o funcionalismo público, com risco de congelamento salarial, suspensão de concursos públicos e limitação de nomeações. Para o Sinpro-DF, os custos da recuperação financeira do banco não devem ser transferidos aos servidores e à população. “A ideia é dar uma resposta unificada e organizada do serviço público do Distrito Federal ao acordo proposto pelo GDF e avalizado pelo Supremo Tribunal Federal”, afirmou o diretor do Sinpro-DF e da CUT-DF, Cleber Soares. Segundo ele, a preservação do BRB deve ocorrer com transparência, controle público e responsabilização dos envolvidos na crise da instituição financeira.

O movimento sindical iniciou uma agenda de mobilizações nesta semana, com participação em audiência pública na Câmara Legislativa para discutir a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A paralisação desta quinta-feira é apontada pelas entidades como o principal ato do calendário de protestos, que deve se estender ao longo do mês de junho.

Na avaliação dos sindicatos, o acordo firmado para garantir recursos ao BRB pode aliviar a situação imediata do banco, mas não deve comprometer a capacidade de investimento do Distrito Federal em áreas consideradas essenciais. As entidades alegam que eventuais medidas de contenção de despesas poderão afetar a construção de creches, escolas, unidades de saúde e a contratação de profissionais para o serviço público.

Os representantes dos trabalhadores também criticam a manutenção de benefícios fiscais concedidos pelo governo. Segundo o Sinpro-DF, o volume de renúncias fiscais no Distrito Federal teria aumentado nos últimos anos e supera o valor do empréstimo obtido para socorrer o banco.

O Governo do Distrito Federal sustenta que o acordo é necessário para garantir a estabilidade financeira do BRB e preservar a instituição, considerada estratégica para a economia local. O texto aprovado pela CLDF autoriza a operação financeira vinculada ao processo de recuperação do banco.

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