Setor produtivo do DF promove evento preparatório para a 1ª Conferência Nacional dos ODS | ASN Distrito Federal

A menos de dois meses da realização da 1ª Conferência Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), marcada para ocorrer entre os dias 30 de junho e 2 de julho, representantes do setor produtivo, instituições públicas, sociedade civil e especialistas se reuniram na tarde desta segunda-feira, 18 de maio, no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), em Brasília, para a realização da Conferência Livre do Setor Produtivo. O encontro teve como objetivo consolidar propostas e alinhar contribuições que serão levadas à etapa nacional da conferência.

Realizada pelo Sebrae no Distrito Federal, Sistema Fibra, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do DF (Senai/DF), Coalizão pelo Impacto, Instituto Felicidade para Todos e demais representantes da sociedade civil, a atividade foi estruturada em torno de dois eixos temáticos: promoção da inclusão social e combate às desigualdades, e inovação tecnológica para o desenvolvimento sustentável. Ao longo da programação, os participantes acompanharam uma mesa de abertura, uma palestra magna e grupos de trabalho voltados à construção de propostas prioritárias.

Na abertura do encontro, o vice-presidente da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), Pedro Verano, destacou a necessidade de articulação entre diferentes setores para a construção de soluções relacionadas aos ODS. “Governo local, governo federal, iniciativa privada e sociedade civil precisam caminhar juntos nesse debate sobre os ODS. A melhoria das condições sociais, a redução das desigualdades, a inclusão e o cuidado com o meio ambiente exigem pragmatismo e nenhuma demagogia”, afirmou. Segundo ele, o fortalecimento da indústria também aparece como elemento estratégico para reduzir desigualdades e ampliar a capacidade de inovação no Distrito Federal.

Foto: Wesley Lima | Focus Produção de Imagem

Representando o Sebrae no DF, o gerente da Assessoria Estratégica de Políticas Públicas e Ecossistema de Negócios, Jorge Adriano, relacionou o debate sobre desenvolvimento sustentável à própria construção de Brasília. “Brasília é a prova concreta de que objetivos de desenvolvimento funcionam. Quando Juscelino decidiu construir a cidade, ele pensava em integração nacional, educação, desenvolvimento da indústria e redução das desigualdades”, disse.

Para Jorge, a construção coletiva em torno dos ODS exige articulação entre diferentes gerações e setores da sociedade.

O representante da Coalizão pelo Impacto e gerente-executivo do Instituto Sabin, Gabriel Cardoso, destacou a importância das parcerias entre diferentes atores sociais na construção de ecossistemas de impacto. Segundo ele, ‘‘a proposta da Coalizão pelo Impacto é reunir poder público, iniciativa privada, academia, investidores e organizações da sociedade civil em torno de objetivos comuns de transformação econômica, social e ambiental’’.

Já o conselheiro do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), André Clemente, chamou atenção para os desafios relacionados à implementação prática da Agenda 2030. “Hoje, o grande desafio não é mais apenas definir o que fazer, mas entender como fazer. Precisamos entregar resultados, integrando os ODS aos instrumentos de planejamento público, como PPA, LDO e LOA, para garantir a execução efetiva das ações previstas’’.

A presidente do Instituto Felicidade para Todos, Ana Paula Inglez, ressaltou que o avanço dessa agenda depende da articulação entre diferentes setores e da mobilização das comunidades nos próprios territórios. “O Instituto Felicidade para Todos começou a partir de um grupo de pessoas que se reuniu para melhorar a vida no nosso bairro, o Jardim Mangueiral. Nós criamos uma moeda local, utilizada pelo comércio para a troca de bens e serviços, fortalecendo a economia da comunidade e ajudando pessoas que muitas vezes não possuem renda fixa. São pequenas iniciativas que podem ganhar escala e gerar transformação social”, pontuou.

ESG, inovação e permanência no planeta

A palestra magna da conferência foi conduzida por Cristina Castro, diretora da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) e fundadora do Instituto Eu sou a Glória. Ao longo da apresentação, a especialista abordou a relação entre ESG, desenvolvimento econômico, inovação e sustentabilidade, articulando dados sobre meio ambiente, transformação tecnológica e desigualdades sociais.

Foto: Wesley Lima | Focus Produção de Imagem

Ao discutir o conceito de ESG, Cristina afirmou que os pilares ambiental, social e de governança funcionam como ferramentas de monitoramento e acompanhamento das metas estabelecidas para o futuro. “Você pode até não gostar do nome ESG, mas meio ambiente existe, pessoas existem e governança nada mais é do que entender dados a partir de uma história que se quer construir”, afirmou.

A palestrante também relacionou inovação ao impacto social gerado pelas soluções desenvolvidas. “Se eu crio alguma coisa e ninguém compra, ninguém usa e aquilo não gera transformação, isso é apenas invenção. A inovação acontece quando você consegue transformar essa ideia em algo escalável, que gere valor social. Se não tiver valor social, não é inovação. É invenção”, declarou.

Durante a apresentação, Cristina Castro ainda chamou atenção para o avanço do consumo de recursos naturais e os efeitos das mudanças climáticas. Segundo ela, os debates sobre ESG e ODS estão diretamente ligados à capacidade de construir soluções sustentáveis para as próximas décadas. “A natureza não negocia. Ela responde com secas, enchentes, mudanças climáticas e eventos extremos”, afirmou.

Grupos de trabalho definiram propostas prioritárias

Após a palestra magna, os participantes foram divididos em grupos de trabalho para discutir propostas ligadas aos dois eixos temáticos do encontro.

O grupo responsável pelo eixo “Promoção da inclusão social e combate às desigualdades” definiu como proposta prioritária a mobilização pela adoção de práticas de ensino emancipadoras e inclusivas.

Já o grupo voltado à temática “Inovação tecnológica para o desenvolvimento sustentável” escolheu como proposta central a defesa do ecossistema de inovação como motor do desenvolvimento sustentável.

Ao final da programação, os participantes realizaram uma plenária para apresentação das propostas e eleição dos delegados que representarão o grupo na 1ª Conferência Nacional ODS. Após votação, foram escolhidos Maria Aparecida da Silva Soares, Assessora de Responsabilidade Social, Jorge Adriano, gerente da Assessoria Estratégica de Políticas Públicas e Ecossistema de Negócios, Sara Tolentino, diretora institucional do Instituto Gabriel Gastal e Ana Paula Inglez, presidente do Instituto Felicidade para Todos.

Foto: Wesley Lima | Focus Produção de Imagem

A etapa nacional da conferência reunirá representantes de diferentes setores e estados brasileiros para consolidar contribuições relacionadas à Agenda 2030 e aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Créditos das Notícias Sebrae DF

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