A avalanche soterrou dezenas de casas e deixou milhares de pessoas desabrigadas – (crédito: BBC Os deslizamentos de terra e enchentes de gra…
Os deslizamentos de terra e enchentes de grandes proporções que atingiram a fronteira entre o Nepal e o Tibete na última quarta-feira (26) já são considerados uma das maiores tragédias naturais da região nos últimos anos. O desastre deixou mais de 475 mortos, centenas de desaparecidos e milhares de desabrigados, além de destruir casas, estradas, pontes e postos de fronteira.
Imagens registradas durante a tragédia mostram uma gigantesca onda de lama, pedras e água descendo pelos vales e arrastando tudo em seu caminho. O fluxo atingiu principalmente a região de Nuwakot, no Nepal, além do posto fronteiriço de Rasuvagadhi, importante ligação entre Nepal e China.
As operações de resgate chegaram a ser interrompidas devido ao risco de novas enchentes provocadas pelos detritos acumulados nos rios, mas foram retomadas nesta sexta-feira (28). Enquanto isso, autoridades e especialistas trabalham para entender as causas do desastre e evitar novas tragédias.
O que provocou o desastre?
Inicialmente, autoridades nepalesas acreditavam que um terremoto poderia ter desencadeado os deslizamentos. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) chegou a registrar um possível tremor de magnitude 4,4.
Posteriormente, porém, a agência confirmou que o evento foi provocado por um colapso glacial seguido por um gigantesco fluxo de detritos, descartando a hipótese de um terremoto como causa principal.
Especialistas explicam que o aquecimento global tem acelerado o derretimento das geleiras na cordilheira do Himalaia, aumentando a instabilidade das montanhas. O descongelamento do permafrost — camada de solo permanentemente congelada — também reduz a estabilidade das encostas, favorecendo deslizamentos de grande porte.
Pesquisadores ainda analisam imagens de satélite para identificar exatamente onde ocorreu o rompimento e se houve o colapso de algum lago glacial.
Era possível evitar?
Segundo especialistas, fenômenos naturais dessa magnitude não podem ser completamente evitados. No entanto, sistemas de monitoramento e alerta precoce podem reduzir significativamente o número de vítimas.
Sensores instalados em lagos glaciais e áreas de risco conseguem identificar alterações no terreno e fornecer tempo suficiente para evacuações.
Pesquisadores também defendem maior cooperação entre Nepal e China no compartilhamento de informações, já que muitos eventos têm origem em regiões remotas do Tibete antes de atingir áreas povoadas do Nepal.
Outra medida apontada como fundamental é a realocação de comunidades instaladas em áreas de alto risco, especialmente às margens de rios sujeitos a enchentes repentinas.
Número de vítimas continua aumentando
Os dados oficiais seguem sendo atualizados à medida que as equipes de resgate avançam.
Até esta sexta-feira (28), o Nepal contabilizava 475 mortos e mais de 900 desaparecidos. Entre os desaparecidos estão centenas de estrangeiros, incluindo turistas e trabalhadores de diversos países, como Índia, Estados Unidos, Ucrânia, Malásia, Austrália e Reino Unido.
No lado tibetano da fronteira, três mortes foram confirmadas e outras 558 pessoas continuam desaparecidas.
As autoridades ainda investigam se há registros duplicados entre as listas divulgadas por Nepal e China.
Mobilização internacional
O primeiro-ministro do Nepal afirmou que o país está profundamente abalado com a tragédia e garantiu que trabalha em conjunto com o governo chinês para coordenar os resgates e a assistência às vítimas.
O presidente da China, Xi Jinping, determinou uma busca intensiva pelos desaparecidos e anunciou o fortalecimento dos sistemas de monitoramento e alerta para prevenir novos desastres.
A Índia também ofereceu apoio humanitário imediato. O primeiro-ministro Narendra Modi colocou equipes e recursos à disposição do Nepal para auxiliar nas operações de socorro.
A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que está mobilizando equipes e suprimentos de emergência para atender a população afetada.
Já os Estados Unidos anunciaram uma ajuda inicial de US$ 500 mil, destinada à instalação de abrigos temporários, fornecimento de água potável, saneamento básico e assistência humanitária às comunidades atingidas.
Enquanto as buscas continuam, cientistas alertam que o aumento da temperatura global pode tornar eventos semelhantes mais frequentes na região do Himalaia, considerada uma das áreas mais vulneráveis do planeta aos efeitos das mudanças climáticas.
