O pré-candidato ao Governo do Distrito Federal, Ricardo Capelli (PSB), protocolou nesta terça-feira (14) uma representação no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) pedindo a abertura de investigação sobre a sociedade firmada entre a governadora Celina Leão (PP) e o empresário Edmundo Pinheiro, controlador da Urbi Mobilidade Urbana, para a compra de uma participação em um embrião de gado Nelore avaliado em cerca de R$ 500 mil, conhecido como “Vaca de Ouro”. A ação também é assinada pelo deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB), pelo ex-senador Cristovam Buarque (PSB) e por Rodrigo Oliveira de Castro Dias (PSB).
No documento encaminhada à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e Social (Prodep), os autores afirmam que a sociedade entre a chefe do Executivo e um empresário que mantém contratos milionários com o Governo do Distrito Federal pode configurar situação de potencial conflito de interesses e merece apuração pelos órgãos de controle. O documento ressalta que não há acusação prévia de irregularidade, mas sustenta que os fatos justificam a abertura de procedimento investigatório.
Segundo a representação, Edmundo Pinheiro é proprietário da Urbi Mobilidade Urbana, concessionária responsável por parte do transporte coletivo do Distrito Federal. O documento destaca que a empresa mantém contratos administrativos com o GDF e recebe recursos públicos por meio de subsídios tarifários, enquanto decisões do governo podem impactar diretamente a remuneração das concessionárias, por meio da definição da tarifa técnica e dos critérios de ressarcimento por passageiro.
Os autores argumentam que a relação societária privada entre a governadora e o empresário pode comprometer a percepção de imparcialidade da administração pública e pedem que o MPDFT apure eventual conflito de interesses à luz da Constituição Federal, da Lei Orgânica do Distrito Federal, da Lei de Improbidade Administrativa, da Lei de Conflito de Interesses, da nova Lei de Licitações e do Decreto Distrital nº 47.663/2025.
A representação também questiona a transparência das informações relacionadas aos contratos e aos subsídios pagos às empresas de ônibus. Segundo os autores, dados sobre contratos, revisões tarifárias e repasses da Secretaria de Transporte e Mobilidade estariam indisponíveis nos portais oficiais, situação que, na avaliação deles, pode contrariar a Lei de Acesso à Informação e o princípio constitucional da publicidade.
Entre os pedidos encaminhados ao Ministério Público estão a instauração de procedimento investigatório, a requisição de informações à Governadoria sobre a natureza da sociedade entre Celina Leão e Edmundo Pinheiro, o levantamento dos contratos, aditivos e subsídios pagos à Urbi Mobilidade Urbana, além da apuração da eventual existência de conflito de interesses e da regularidade da retirada de informações dos portais oficiais do GDF.
