A segunda edição do Festival da Baunilha será realizada neste fim de semana na Estação Ecológica Selah. O evento reúne toda a cultura do aroma que está transformando a região da Serra dos Pireneus, em Cocalzinho de Goiás, e celebra o fruto do trabalho dos produtores locais.
Serão três dias, entre hoje e domingo, para viver uma experiência única, focada em tradição, inovação e sustentabilidade, com o objetivo de fortalecer o turismo rural, valorizar a alta gastronomia regional e a força da agricultura familiar. O encontro também promoverá capacitação técnica e integração entre produtores locais.
Coordenador-geral do festival e técnico de campo do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Goiás (Senar Goiás), Saulo Araújo de Oliveira aponta que o evento tem várias funcionalidades, a começar pela função de trazer visibilidade à Cooperativa Agropecuária da Serra dos Pireneus (COOASPI).
A ideia também é realizar intercooperação, fortalecer a identidade da marca do festival e o posicionamento de mercado, além da conquista de novos segmentos.
“A importância do Festival da Baunilha é a criação de conexões profissionais e o fortalecimento da identidade regional. Além da parte específica da baunilha mesmo, que é apresentar o fruto cultivado no Cerrado como um produto de alto valor agregado”, destacou.
As baunilhas do Cerrado são orquídeas do gênero Vanilla. Saulo apontou que existem diversas espécies nativas de ocorrência no Brasil, entre elas a Vanilla pompona, a Vanilla bahiana, a Vanilla chamissonis, e outras. “Os frutos destas espécies nativas são maiores do que a baunilha de Madagascar [Vanilla planifolia]. As brasileiras apresentam aromas intensos com notas de melado de cana, cacau e especiarias.”
O cultivo da baunilha na região da Serra dos Pireneus é um projeto que se iniciou em 2022. Em 2023 foram criados os primeiros plantios e, em 2024, foi realizada a primeira edição do festival da baunilha.
Referência em manejo
Segundo Saulo, a baunilha é cultivada na região por meio do cultivo em viveiro e em sistemas agroflorestais. “Todos em manejo ecológico”, ressaltou.

Atualmente, a região é reconhecida como referência nacional em inovação, manejo pioneiro e desenvolvimento rural sustentável. Um dos propósitos do evento foca justamente em fortalecer o produtor rural da região, promovendo a sustentabilidade e a valorização do solo, com o crescimento compartilhado de toda a comunidade.
O cultivo da baunilha no entorno do parque atua diretamente na conservação do Cerrado e na proteção das nascentes.
Entre os destaques do festival, Saulo destaca palestras sobre as técnicas de cultivo e que os debates não serão apenas sobre a região da Serra dos Pireneus em específico, pois haverá palestrantes de todo o Brasil. Os convidados vêm de Brasília, Rio de Janeiro, interior de Goiás, Minas Gerais e outros estados.
“Teremos representantes de todas as regiões cultivadoras de baunilha. E, para além das questões de técnicas de cultivo, nós vamos falar também sobre a questão econômica e o potencial de uso da baunilha.” Outros tópicos a serem debatidos serão os desafios do setor e o manejo de alta produtividade.
Mais atrações
Na programação, haverá ainda uma feira chamada Trilha do Produtor, onde os produtores rurais irão expor produtos da cooperativa confeccionados com baunilha. A exposição terá itens como compotas, sorvetes, doces, extrato de baunilha, mel e outros derivados feitos com esse insumo. Serão cerca de 22 produtores envolvidos no evento.
A agenda conta ainda com exposição de artesanato, oficinas práticas e cozinha show – com chefs renomados no palco gastronômico transformando a baunilha no item principal dos pratos, com receitas doces e salgadas. Haverá também apresentações musicais que valorizam as brasilidades e artistas regionais, como André Marques e VAM Trio.
As portas do evento serão abertas às 14 horas, na sexta-feira. No sábado, acontecem as palestras, oficinas e a cozinha show. No domingo, o evento se encerra com uma visita técnica às áreas de cultivo. Em todos os dias haverá atração musical, a exposição dos produtos e também a Baunilhândia, um espaço dedicado para experiências, degustação e comercialização.
Saulo afirma que o desejo maior é difundir a cultura do uso e da produção de baunilha na região, além de conectar os produtores e as pessoas envolvidas com o mercado consumidor. “A intenção é que, futuramente, nós lancemos produtos premium com qualidade para atingir o mercado externo, focado em exportação”, frisou.
Cocalzinho de Goiás está localizada estrategicamente a 120 km de Brasília – ideal para a conexão dos produtores, a atração de um público de turistas que queira viver a experiência do evento.
A programação conta com a parceria do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Goiás (Senar Goiás), e é realizada pelo Sindicato Rural de Cocalzinho de Goiás junto com a COOASPI. A entrada é gratuita.
