Pedido de R$ 508 milhões para ônibus provoca reação de candidatos ao GDF

O pedido do Governo do Distrito Federal (GDF) para abrir R$ 508,5 milhões em crédito suplementar para o sistema de transporte público coletivo provocou críticas de candidatos ao Palácio do Buriti. A proposta, encaminhada pela governadora Celina Leão (PP) à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), no dia 7 de agosto, em regime de urgência. Segundo o governo, os recursos serão destinados à manutenção do equilíbrio financeiro do sistema de transporte coletivo.

O pedido ocorre uma semana depois de Celina Leão apresentar um balanço das contas do governo e afirmar que o Distrito Federal registrava superávit no orçamento. A situação foi explorada pelos adversários da governadora, que questionam a necessidade de um crédito de mais de meio bilhão de reais para o setor.

O candidato ao Governo do Distrito Federal pelo PSD, o ex-governador José Roberto Arruda criticou a medida e questionou a situação financeira do GDF. Arruda afirmou que o dinheiro beneficiaria as cinco empresas que operam o transporte coletivo em Brasília e relacionou o anúncio ao episódio envolvendo a participação da governadora em um leilão de gado. “Esses empresários de ônibus estão felizes, são esses cinco que estão operando em Brasília. Tá até sobrando dinheiro para comprar vaca em leilão junto com a governadora”, mencionou.

Arruda também questionou a contradição entre o discurso de contenção de gastos adotado pelo governo e a previsão de novos recursos para o transporte público. “Mas o Governo não tá quebrado? Não tinha que fazer economia? Não tinha que cancelar até o festival de cinema? Não tinha que cortar tudo?”, indagou.

O candidato do PSD ainda associou a liberação dos recursos ao período eleitoral. “R$ 500 milhões para os empresários de ônibus a 55 dias da eleição? Olha, esse cheiro não é bom”, pontuou Arruda.

Também pré-candidata ao GDF, a deputada federal Paula Belmonte (PSDB) criticou a falta de detalhamento do projeto encaminhado à Câmara Legislativa. Segundo ela, os recursos seriam provenientes da antecipação de receitas do Distrito Federal e, por isso, deveriam ser vinculados a investimentos. “Estamos falando de mais de R$ 508 milhões em recursos provenientes da antecipação de receitas do Distrito Federal e que, por lei, devem ser destinados a investimentos”, salientou.

Paula afirmou que o governo não apresentou de forma clara qual investimento será realizado no transporte público com os recursos solicitados. “O projeto também não apresenta detalhamento suficiente sobre como os recursos serão gastos, memória de cálculo ou a fundamentação técnica para uma despesa ligada ao equilíbrio financeiro da operação do sistema ser classificada como investimento.”

A deputada disse não ser contra a destinação de dinheiro para melhorias no transporte público, mas defendeu que a aplicação dos recursos seja detalhada antes da aprovação. “Sou contra autorizar mais de meio bilhão de reais sem transparência e sem a demonstração técnica adequada da destinação desse dinheiro”, afirmou.

Para Paula Belmonte, cabe à Câmara Legislativa fiscalizar a aplicação dos recursos públicos, especialmente diante do tamanho da operação. “É uma questão de responsabilidade fiscal, transparência e respeito ao dinheiro público”, completou a candidata.

Os demais candidatos foram procurados pela reportagem do Jornal Opção, porém, até o fechamento desta matéria, não houve manifestação. O espaço permanece aberto.

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