O Sebrae no Distrito Federal iniciou nesta segunda-feira, 13 de julho, mais um ciclo de capacitações gerenciais destinado às artesãs participantes do Projeto Cerrado Feminino. As atividades ocorrem ao longo do mês, na Casa da Mulher Brasileira de Ceilândia. O objetivo é fortalecer a autonomia econômica das participantes, difundindo técnicas de gestão de negócios para que possam gerir seus empreendimentos, precificar adequadamente, ampliar a presença de suas marcas e trilhar caminhos para que seus trabalhos integrem as instalações das unidades da Loja Colaborativa Cerrado Feminino, além de outros espaços.
O cronograma prevê duas turmas, uma pela manhã e outra à tarde, totalizando sete encontros temáticos ao longo do mês, voltados à gestão empresarial e às vendas, com tópicos como fluxo de caixa, precificação, uso das redes sociais e outros assuntos do universo empreendedor. Além das atividades coletivas, a iniciativa oferecerá até 100 horas de consultoria individual, limitado a duas horas por artesã.
“A participação das artesãs nessa formação gerencial é fundamental. Elas já dominam a técnica e entregam produtos de qualidade, mas há o desafio de organizar toda a gestão do negócio. Vamos capacitá-las para que possam precificar corretamente suas peças, utilizar as redes sociais para divulgação e, assim, manter a trajetória rumo à autonomia e à independência financeira”, explicou Tiago Gammaro, analista da Assessoria de Políticas Públicas e Ecossistemas de Negócios e gestor do Projeto Cerrado Feminino no Sebrae no DF.
Além disso, a intenção é elevar o nível da produção para que elas possam ser selecionadas em futuros processos de curadoria do projeto, estejam preparadas para atuar na Loja Colaborativa Cerrado Feminino e integrem outros espaços destinados ao artesanato. “O aprendizado não ocupa espaço; tudo o que aprendemos serve para aplicar em algum momento da vida. Este é o momento delas. Aqui unimos a técnica ao lado gerencial para que essas artesãs se fortaleçam e possam participar da loja colaborativa e de novos projetos com mais organização”, complementou Mônica Fortunato, analista da Assessoria de Políticas Públicas e Ecossistemas de Negócios do Sebrae no DF.
O projeto da Loja Colaborativa Cerrado Feminino é fruto de uma parceria entre a Secretaria de Estado da Mulher, o Sebrae no Distrito Federal e o Instituto BRB. Inaugurada em junho do ano passado, a primeira unidade funciona na Feira da Torre de TV, aos sábados e domingos, das 9h às 17h, nos boxes 95 e 96 do Bloco C, servindo como vitrine para o talento de artesãs e manuais do Distrito Federal.
Atualmente, a loja reúne produtos de mais de 20 artesãs selecionadas via chamamento público. Até o fim do ano, espera-se que o espaço conte com a participação de 80 mulheres, operando em regime de rodízio trimestral que garante que diferentes grupos ocupem os boxes a cada período.
As artesãs apoiadas pelo projeto também podem expor suas produções em uma segunda unidade da loja colaborativa, inaugurada em março no JK Shopping, em Taguatinga. O espaço foi cedido gratuitamente pelo shopping e tem capacidade para abrigar a produção de cerca de 50 artesãs locais.
Uma das profissionais que já ocupa este novo espaço é Valéria Garcia Lamounier, artesã com 17 anos de atuação e foco em produção de peças utilizando técnicas de costura criativa e bordado. Ela, que também esteve entre as selecionadas para participar da primeira etapa da loja da Torre de TV, define a experiência de participar do projeto como um momento especial. “Participar dessa iniciativa tem sido uma experiência maravilhosa, um verdadeiro divisor de águas na minha trajetória. Além de abrir portas, o espaço funciona como uma vitrine fundamental para o artesão, permitindo dar muito mais visibilidade ao nosso trabalho e aos nossos produtos”, comentou ela.
Valéria também destacou a importância das capacitações promovidas pelo Sebrae em parceria com a Secretaria de Estado da Mulher, assegurando que essas ações são fundamentais para o aperfeiçoamento do seu negócio. “Cada vez que participo, é um momento em que me alimento de novas informações e aprendizados que realmente agregam e acrescentam valor ao meu trabalho. Estarei nessa até o fim e também em outras ações que o Sebrae ainda vai promover”, acrescentou.
Outra artesã participante da capacitação é Maria Aparecida Cardoso Agra. Após trabalhar por muitos anos em uma loja de autopeças e serviços, comandada pela irmã, no Centro de Taguatinga, ela se aposentou e comprou uma casa em Vicente Pires. Foi lá que, durante a pandemia e sem companhia para passar o tempo, que começou a transformar cabaças recebidas como presente em peças criativas, como galinhas, sapos, bonecas e até em pequenos presépios e oratórios.
O trabalho foi ganhando evidência e Cida, como é mais conhecida, passou a participar de feiras de artesanato, eventos diversos até conhecer o propósito do Projeto Cerrado Feminino, iniciativa que ela reconhece como uma oportunidade essencial para ampliar a visibilidade e as possibilidades de venda. “Vejo como algo além de um espaço. É uma oportunidade boa para divulgar o meu trabalho. Ser selecionada é uma vitrine importante e que ajuda a dar visibilidade ao que produzimos. Que essa capacitação abra novas portas e permita que as pessoas conheçam o que artesanato que produzo”, concluiu.
Créditos das Notícias Sebrae DF
