Por Cintia Ferreira
A Polícia Civil do Distrito Federal investiga uma ex-consultora da rede de franquias da Cacau Show suspeita de desviar pelo menos R$ 370 mil de franqueadas da marca no DF. As denúncias apontam que Lilmara Neto Oliveira teria recebido valores destinados ao pagamento de dívidas, reposição de estoque e transferências entre lojas da rede, mas o dinheiro não teria sido repassado aos destinatários.
O caso é apurado como estelionato e já resultou no registro de três ocorrências policiais duas em Taguatinga e uma em Samambaia. Até o momento, a investigada não foi formalmente ouvida pela polícia. Segundo as vítimas, ela está fora de Brasília e não atende ligações.
Uma das empresárias que procuraram a polícia foi Lucifátima Seabra, proprietária de uma loja da Cacau Show em Samambaia Sul. Ela afirma que mantinha contato frequente com a então consultora durante grandes campanhas comerciais, como Páscoa e Natal, períodos em que é comum a realização de negociações e repasses de produtos entre franqueados.
De acordo com Lucifátima, Lilmara intermediava essas operações e orientava os pagamentos, indicando contas bancárias para a realização das transferências. Posteriormente, a empresária descobriu que os valores não estavam chegando aos franqueados nem sendo utilizados para quitar obrigações junto à rede. “Os pagamentos eram feitos via PIX para contas indicadas por ela. Depois descobri que os recursos estavam sendo enviados para pessoas ligadas à consultora e, em alguns casos, para uma empresa vinculada a ela”, relatou.
O prejuízo estimado por Lucifátima é de aproximadamente R$ 200 mil. Segundo a empresária, a situação levou ao bloqueio da operação da loja pela franqueadora e culminou no encerramento das atividades da unidade em dezembro de 2025. “A loja ficou sem receber produtos e nosso sistema foi bloqueado. Ficamos impossibilitados de continuar operando”, afirmou.
Empresária vendeu patrimônio para cobrir prejuízo
Outra vítima é a empresária Keila Cristina Moreira, que administrava duas unidades da Cacau Show. Ela afirma ter repassado cerca de R$ 170 mil acreditando estar quitando débitos de uma das lojas, localizada na Asa Sul. Segundo Keila, a cobrança judicial da dívida continuou mesmo após os pagamentos realizados à consultora. “Eu confiava nela cegamente. Quando ela dizia para transferir para determinada empresa ou conta jurídica, eu fazia acreditando que os boletos estavam sendo pagos”, contou.
Diante do prejuízo, a empresária afirma que precisou vender bens pessoais para tentar reorganizar a situação financeira.
Cacau Show afirma que demitiu funcionária por justa causa
Em nota, a Cacau Show informou que identificou as irregularidades por meio de uma apuração interna e desligou a colaboradora por justa causa. A empresa afirmou ainda que comunicou os fatos às autoridades competentes, forneceu evidências obtidas durante auditoria interna e orientou os franqueados afetados a registrarem boletins de ocorrência.
Segundo a companhia, também foram iniciados os procedimentos para devolução integral dos valores desviados aos franqueados identificados como prejudicados.
A rede destacou ainda que reforçou junto aos franqueados os canais oficiais e os protocolos de pagamento para evitar ocorrências semelhantes.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil do Distrito Federal, que trabalha para esclarecer a extensão dos prejuízos e identificar possíveis responsabilidades criminais.
