No Distrito Federal, que todos chamam de Brasília, é assim: governante que é candidato, quando aparece com menos de 35%, dificilmente tem chance de ser reeleito. Esta é a leitura da realidade.
Na pesquisa Correio Braziliense/Opinião, a governadora Celina Leão, do pP (partido do radioativo senador Ciro Nogueira), aparece com apenas 27,8%. Considerando a margem de erro de 3,4 pontos percentuais, ela pode ter 24,4%. Mas, claro, pode ter 31,2%. Mas não chega a 35%
Quem tem o poder no Brasil tem quase tudo. Por isso, a tendência é que seja o favorito na disputa da reeleição. O cientista político Alberto Carlos Almeida frisa que governador bem avaliado faz o sucessor.
No caso de Brasília, a situação é complexa. O ex-governador Ibaneis Rocha, do MDB, ora aparece como apoiador de Celina Leão, ora aparece como um de seus críticos. Ele transfere ou retira votos da gestora? Pelo visto, está “retirando”.
BRB, Master e expectativa de poder
O número de Celina Leão sugere que dificilmente será reeleita. Porque parece ter perdido expectativa de poder.
Entre os eleitores de Brasília há um consenso, tudo indica: aquele que tiver o mínimo de ligação com o caso BRB + Banco Master & Daniel Vorcaro tende a não ser eleito.

Não se sabe se Celina Leão tem alguma ligação com a conexão Banco de Brasília + Banco Master — que deixou um rombo de mais de 12 bilhões para os cofres públicos do governo do Distrito Federal.
Mas Ibaneis Rocha, que é ou era um de seus padrinhos, teria articulado, a partir do BRB, a tentativa de salvar o Banco Master. Então, ao menos indiretamente, via Ibaneis Rocha, Celina Leão tem a ver com a história do BRB & Daniel Vorcaro.
No momento, Celina Leão está tentando salvar o BRB. Há quem postule que o governo do DF vai torrar dinheiro, endividando-se, mas o Banco de Brasília não terá salvação. Estão jogando álcool para tentar “apagar” o fogo.
Se na próxima pesquisa, Celina Leão cair mais uns pontinhos, mesmo na margem de erro, isto significará que perdeu mesmo expectativa de poder. A tendência é que, no curto prazo, sua candidatura derreta.

Há outra pedra no caminho de Celina Leão. Seu principal padrinho político é o senador Ciro Nogueira, presidente do pP. Por causa de sua ligação umbilical com o Banco Master e Daniel Vorcaro, o político do Piauí enfrenta grande desgaste e, por certo, será citado na campanha deste ano no Distrito Federal.
Arruda adquire expectativa de poder
Quem conhece a política de Brasília, e raciocina com base na realidade e não em ideologias, sugere que, pelo quadro político-eleitoral atual, José Roberto Arruda, do PSD, será o próximo governador.
Na pesquisa do Correio/Opinião Inteligência Política, Arruda aparece com 23,5%. Considerando a margem de erro, pode ter 26,9%.

A questão central é: a expectativa de poder está com Arruda, e não com Celina Leão. Tanto que parte substantiva do PL deverá apoiá-lo. É o caso do senador Izalci Lucas, bolsonarista do PL.
A voz das ruas é uma só, em Brasília e cercanias (no Entorno do DF, quase todos os prefeitos o apoiam): se candidato, Arruda será governador. E, claro, o ex-governador será candidato. Candidatíssimo.
Há quem, conhecendo a política de Brasília, postule que Celina Leão poderá derreter de tal forma que a peleja final será entre Arruda e Leandro Grass, do PT. Na pesquisa comentada, o petisra aparece com 9,2%. Não é um número elevado para quem disputou o governo em 2022 e, portanto, é conhecido do eleitorado.
Entretanto, o PT é sempre forte nas disputas de Brasília. Em 2022, tendo ficado em segundo lugar, Leandro Grass obteve 26,25% dos votos.

O problema de Grass é o mesmo de Celina Leão: a presenta proativa de Arruda na política de Brasília.
Em 2022, Leandro Grass era o segundo nome na disputa; agora, é o terceiro. Há a possibilidade, se Celina Leão derreter, polarizar com Arruda. Mas, insistindo, a expectativa de poder está, cada vez mais, nas mãos do postulante do PSD. Os ventos da mudança política são pró-Arruda.
Esquerda e direita devem eleger senadores
Na disputa para o Senado, Ibaneis Rocha, que chegou a figurar em segundo, quase ao lado da líder, Michelle Bolsonaro (PL), caiu para o quarto lugar, de acordo com a pesquisa Correio/Opinião. Estão na sua frente Michelle Bolsonaro, Leila do Vôlei, do PDT, e Érika Kokay, do PT. Os eleitores o abandonaram.

Há uma crença, estribada na realidade, de que Brasília elege um senador de direita (ou de centro-direita) e um senador de esquerda. Lembrando que, este ano, duas vagas para senador estão em disputa.
A líder na pesquisa de intenção de voto é Michelle Bolsonaro, de direita. A esquerda mantém duas pré-candidatas bem-posicionadas: Leila do Vôlei (PDT), com 30,2%, e Érika Kokay, com 25%. Ibaneis Rocha aparece em quarto lugar, com 22,6%. Uma posição bem ruim para quem acabou de deixar o governo. Seu problema é a ligação com o caso Banco Master + BRB + Daniel Vorcaro + Paulo Henrique Costa.

Em quinto lugar, aparece a deputada Bia Kicis, do PL, com 14,4%. É uma ameaça para Ibaneis Rocha, que, aparentemente, está em processo de derretimento. É a geleira política de Brasília.
Há, entre analistas de bastidores, a crença de que Ibaneis vai puxar Celina para baixo e Leão vai puxar Rocha para baixo. Trata-se daquilo que os políticos chamam de “abraço mortal dos afogados”. (E.F.B.)
