O pré-candidato ao Governo do Distrito Federal Leandro Grass (PT) cobrou, nesta segunda-feira (13), uma investigação sobre a sociedade firmada entre a governadora Celina Leão (PP), o marido dela e o empresário Edmundo Pinheiro, proprietário da concessionária Urbi, uma das empresas responsáveis pelo transporte coletivo do DF.
A manifestação ocorre após reportagem do Jornal Opção, que relata que Celina e o marido adquiriram, em parceria com o empresário, metade de um embrião de gado Nelore durante um leilão realizado em 1º setembro de 2025. Segundo a publicação, o negócio foi avaliado em cerca de R$ 500 mil.
Em nota, Grass afirmou que os fatos são “graves” e precisam ser apurados pelos órgãos de controle. Para ele, a relação comercial entre a governadora e um empresário que mantém contratos com o Governo do Distrito Federal levanta dúvidas sobre o cumprimento dos princípios da administração pública. “Isso aqui é grave e precisa ser investigado a fundo. Primeiro para entender se esses leilões de gado serviram como lavagem de dinheiro. Depois para que seja explicada a quebra de impessoalidade entre a atual governadora e um dos maiores empresários do setor de transporte”, declarou.
O petista também defendeu que o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) atuem com rapidez na apuração. “O MPDFT e a Polícia Civil têm trabalho pela frente e a população espera respostas rápidas”, afirmou.
Na avaliação de Grass, o caso ganha maior relevância porque envolve um empresário do setor de transporte coletivo, que recebe recursos públicos por meio do sistema de tarifa técnica. A Urbi recebe atualmente cerca de R$ 9,78 por passageiro nesse modelo de remuneração, utilizado para complementar o valor pago pelas tarifas e manter o preço da passagem. Os repasses do GDF às empresas de ônibus somam aproximadamente R$ 200 milhões por mês.
Segundo o pré-candidato, o problema não está no investimento privado, mas na relação comercial entre um agente público e um empresário que depende de decisões do Executivo. “O problema não é um investimento privado em si. O problema é quando a governadora mantém uma sociedade comercial com um empresário que depende de decisões do próprio governo para receber centenas de milhões de reais em recursos públicos. É exatamente por isso que a Constituição exige impessoalidade e transparência na administração pública. A população tem o direito de saber se houve conflito de interesses e espera uma investigação rigorosa”, disse.
Histórico de críticas
Grass também lembrou que, em 2021, quando exercia o mandato de deputado distrital, apresentou representação ao MPDFT questionando o patrocínio do Banco de Brasília (BRB) a leilões de gado Nelore nos quais, segundo ele, o então governador Ibaneis Rocha (MDB) negociava animais.
Para o pré-candidato, as informações divulgadas agora ampliam as preocupações sobre a relação entre agentes públicos e empresários com interesses econômicos ligados ao Governo do Distrito Federal.
Grass afirmou que Celina Leão deve prestar esclarecimentos públicos sobre a sociedade com o empresário e defendeu a atuação dos órgãos de investigação. “Celina precisa parar tudo que está fazendo e explicar em detalhes que tipo de relação é essa. Os órgãos investigativos, como o MPDFT e a PCDF, também precisam elucidar o caso. Havendo ilícito, ela precisa ser afastada imediatamente do cargo e responder na Justiça. É o que toda a população aguarda neste momento”, concluiu.
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