Os metroviários do Distrito Federal aprovaram greve por tempo indeterminado a partir da próxima terça-feira (1º). A decisão foi tomada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários do Distrito Federal (SindMetrô-DF), que cobra do Governo do Distrito Federal (GDF) e do Metrô-DF a realização de concurso público e a contratação de novos funcionários.
Segundo o sindicato, a paralisação poderá ser suspensa caso haja avanço nas negociações previstas para os próximos dias. Uma assembleia da categoria está marcada para segunda-feira (31), quando os trabalhadores devem avaliar eventuais propostas apresentadas pelo Metrô-DF.
Em entrevista ao Jornal Opção Brasília/ Entorno, Carlos Alberto Cassiano, diretor de assuntos jurídicos do SindMetrô-DF, disse que as negociações com a empresa começaram no fim de novembro de 2025. Desde abril, o sindicato também participa de tratativas no Centro Judiciário de Métodos Consensuais de Solução de Disputas da Justiça do Trabalho (Cejusc-JT).
A principal reivindicação é que o Metrô-DF avance na contratação da banca organizadora de um novo concurso público. O sindicato afirma que o processo tramita na Secretaria de Economia desde 2024 e que há previsão de cerca de R$ 9 milhões para a contratação da banca ainda neste ano.
A categoria afirma que não aceita uma nova discussão sobre a necessidade do concurso. Segundo Cassiano, o quadro atual tem déficit de aproximadamente 600 funcionários. Além disso, existe uma decisão em ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho que determina a contratação de 300 empregados relacionados ao concurso realizado em 2013.
Salários ficam para 2027
A negociação salarial não está entre as reivindicações que motivaram a greve. Segundo o sindicato, a discussão sobre reajuste e outras questões remuneratórias deverá ocorrer no próximo ano.
O foco, neste momento, é garantir a contratação de trabalhadores e a realização do concurso. Para o SindMetrô-DF, a falta de pessoal tem provocado sobrecarga nas equipes. “Tem servidor que tira no máximo 30 minutos de descanso/ almoço. Isso é inadmissível”, salientou Carlos Alberto.
Segundo o sindicato, funcionários das áreas de estação e segurança têm cumprido jornadas com cerca de nove horas e meia de trabalho, incluindo o período destinado à alimentação.
Sindicato critica estrutura do Metrô-DF
Além do déficit de trabalhadores, o sindicato afirma que a infraestrutura do sistema também enfrenta problemas. A categoria critica a falta de investimentos em manutenção e afirma que a frota do Metrô-DF, composta por 32 trens, opera com cerca de 18 unidades.
O sindicato também afirma que recursos previstos no orçamento nem sempre são efetivamente empenhados. Segundo Cassiano, nos últimos oito anos, apenas 1,5% dos recursos previstos para investimentos foi empenhada.
Para a categoria, a situação afeta tanto os trabalhadores quanto os passageiros, principalmente em regiões que dependem do metrô para o deslocamento diário, como Águas Claras, Samambaia e Ceilândia. Atualmente, o sistema transporta aproximadamente 160 mil passageiros por dia, segundo o sindicato.
