Por Cintia Ferreira
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) participou, na manhã desta quarta-feira (24), de uma operação nacional de combate aos crimes de exploração sexual de crianças e adolescentes praticados no ambiente digital. A ação, denominada Operação Pharos III, mobilizou forças de segurança de oito estados e resultou no cumprimento simultâneo de mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra suspeitos investigados por armazenar e compartilhar material de abuso sexual infantojuvenil.
No Distrito Federal, um homem de 22 anos foi preso preventivamente durante a operação. Além da prisão, policiais civis cumpriram um mandado de busca e apreensão na residência do investigado, localizada em Arniqueiras. Equipamentos eletrônicos e dispositivos digitais foram recolhidos e serão submetidos à perícia técnica para aprofundar as investigações.
A ação foi coordenada nacionalmente pela Polícia Civil do Paraná, por meio do Núcleo de Investigações Qualificadas da Divisão Policial do Interior, e contou com a participação das polícias civis do Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás, Ceará e Pernambuco.
Ao todo, foram cumpridos oito mandados de prisão preventiva e oito mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça contra investigados identificados durante o trabalho de inteligência policial.
De acordo com a Polícia Civil, a investigação teve início a partir da análise de dados extraídos de um telefone celular apreendido durante a primeira fase da Operação Pharos. Na ocasião, um homem havia sido preso em uma investigação iniciada pela Delegacia de Polícia de Palmas.
Os exames periciais realizados pela Polícia Científica do Paraná permitiram identificar uma rede de compartilhamento de arquivos contendo material de abuso sexual infantil por meio de aplicativos de mensagens.
A partir da cooperação com a plataforma utilizada pelos investigados, as autoridades conseguiram obter informações que levaram à identificação de oito suspeitos residentes em diferentes estados brasileiros.
Segundo os investigadores, as evidências apontam para a troca sistemática de arquivos ilícitos envolvendo crianças e adolescentes, prática considerada crime pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Cooperação nacional e apoio internacional
A Operação Pharos III contou ainda com o suporte técnico do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), ligado à Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
As investigações também receberam apoio internacional da Homeland Security Investigations (HSI), agência de segurança dos Estados Unidos especializada no combate a crimes transnacionais, incluindo delitos praticados contra crianças no ambiente digital.
Segundo a Polícia Civil, a cooperação entre órgãos nacionais e internacionais foi fundamental para identificar os suspeitos, rastrear atividades criminosas e reunir elementos de prova para subsidiar as medidas judiciais.
As ordens judiciais cumpridas tiveram como objetivo garantir a prisão dos investigados, apreender equipamentos eletrônicos utilizados nos crimes e coletar novas provas que possam auxiliar no avanço das apurações.
Os suspeitos poderão responder pelos crimes de armazenamento e compartilhamento de material de abuso sexual infantil, previstos nos artigos 241-A e 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente.
Somadas, as penas máximas para esses delitos podem chegar a 10 anos de reclusão, além de outras sanções previstas na legislação.
Em nota, a Polícia Civil destacou que a operação reforça a importância da integração entre as forças de segurança no enfrentamento aos crimes cibernéticos que atingem crianças e adolescentes.
Segundo a corporação, ações conjuntas como a Operação Pharos III ampliam a capacidade de investigação, identificação de suspeitos e responsabilização criminal de envolvidos na produção, armazenamento e disseminação de conteúdo ilegal na internet.
As investigações continuam e novas análises dos materiais apreendidos poderão identificar outros participantes da rede criminosa e possíveis vítimas.
