PCDF mira grupo acusado de aplicar golpe milionário com falsos consórcios; servidor do BRB está entre os investigados

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou nesta quarta-feira (24), a segunda fase da Operação Falsa Promessa, que investiga um esquema de falsos consórcios responsável por lesar consumidores no Distrito Federal e Entorno. Entre os investigados está um servidor bancário apontado pela corporação como um dos líderes da organização criminosa.

A ação, coordenada pela 35ª Delegacia de Polícia (Sobradinho II) com apoio da Divisão de Inteligência Policial (DIPO), resultou no cumprimento de seis mandados de prisão preventiva, além do bloqueio de ativos financeiros e da indisponibilidade de bens avaliados em cerca de R$ 14 milhões.

Segundo as investigações, o grupo atraía vítimas por meio de anúncios enganosos divulgados em redes sociais e plataformas de venda na internet. Os suspeitos prometiam contemplação rápida de cartas de crédito, geralmente em até três meses, para convencer consumidores a aderirem aos supostos consórcios.

Após o primeiro contato, as vítimas eram encaminhadas para atendimentos presenciais em lojas físicas, estratégia utilizada para conferir credibilidade ao negócio. No local, eram induzidas a pagar valores de entrada sob a promessa de acesso rápido ao crédito, o que nunca ocorria.

A PCDF apurou que os valores pagos pelos clientes não eram destinados a administradoras de consórcios autorizadas pelo Banco Central. Os recursos eram transferidos para empresas de fachada e, posteriormente, distribuídos entre contas pessoais dos integrantes do grupo, configurando indícios de lavagem de dinheiro.

A primeira fase da Operação Falsa Promessa foi realizada em janeiro deste ano, quando foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão em cidades do Distrito Federal e do Entorno. Desde então, novas vítimas foram identificadas pelos investigadores.

Até o momento, o prejuízo comprovado supera R$ 278 mil. No entanto, a polícia acredita que os danos sejam muito maiores. A análise financeira realizada durante a investigação revelou que a organização movimentou mais de R$ 22 milhões entre 2023 e 2025.

Ao final das apurações, a PCDF identificou o uso de oito empresas para operacionalizar o esquema. Treze pessoas foram indiciadas por fraude eletrônica, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas máximas previstas para os crimes podem alcançar 26 anos de prisão.

BRB nega envolvimento

Procurado pela reportagem, o Banco de Brasília (BRB) informou que a investigação não tem relação com produtos ou operações da instituição. Em nota, o banco afirmou que “a investigação diz respeito à comercialização de consórcios falsos, que não pertencem ao Banco e cujas vendas não ocorreram por meio de sua estrutura ou de seus canais”. O BRB acrescentou que “o envolvimento de empregado no âmbito da operação não possui qualquer relação com a atuação funcional, produtos ou operações do BRB”.

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