Desenvolvedores de jogos, proprietários de estúdios, profissionais da economia criativa e entusiastas da indústria de games estiveram reunidos na última quinta-feira, 16 de julho, para a segunda edição do Sebrae & Bring Talk. O encontro ocorreu nas instalações do Sebraelab, no Parque Tecnológico de Brasília (BioTIC), e contou com uma programação robusta elaborada pelo Sebrae no Distrito Federal e pela Associação de Desenvolvedores de Jogos Eletrônicos do Distrito Federal (Abring).
A realização do evento integrou as atividades do projeto Sebrae Conecta Games e transformou o Sebraelab em um polo de difusão de conteúdo sobre a indústria de jogos, apresentando ao público as tendências de mercado, estratégias de negociação e ativação de marca. O encontro ainda deixou claro que o universo gamer movimenta bilhões a cada ano e já não se limita a gerar entretenimento, mas se configura como um ecossistema econômico robusto caracterizado pelo desenvolvimento de jogos autorais, pela prestação de serviços especializados, entre outras atividades.
O evento também funcionou como um ambiente fértil para a criação de contatos e parcerias, favorecendo a troca direta entre agentes de tecnologia e criatividade e ampliando as oportunidades de colaboração no ecossistema local.
Wenes Soares, fundador da CSJ Digital e do Cyber Monkey Studios, abriu a série de apresentações trazendo sua experiência como desenvolvedor, educador e empreendedor para discutir o panorama atual da indústria de jogos. Na sequência da programação, Eduardo de Azevedo, que está à frente das operações do Crit42 Studio, trouxe reflexões sobre o uso de Inteligência Artificial (IA) na produção de jogos e comentou sobre a importância da criatividade nos processos.
Cícero Yamazaki, conselheiro de negócios, com mais de 35 anos de experiência em liderança, estratégia e gestão de equipes, falou, na sequência, sobre uma etapa importante para os desenvolvedores que é a construção e a manutenção de relacionamentos com investidores.
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O público presente ao Sebraelab ainda pôde acompanhar a apresentação de Matheus Borba, vice-presidente da Abring e idealizador da Gogo Games, que abordou temas como pitching e publicação de jogos, destacando sua trajetória como desenvolvedor e líder, além de oferecer dicas operacionais para levar um título ao mercado. Em seguida, foi a vez do consultor do Sebrae no DF, Gustavo Viana compartilhar estratégias de venda e negociação com o público e também do comunicador e diretor de eventos da Abring, Miron de Lelis, falar sobre ativação de marca.
A programação do evento contou, ainda, com um momento dedicado a ressaltar o papel do Sebrae no futuro da indústria brasileira de games. Eúde do Amor, gestor das carteiras de serviços e games do Sebrae Nacional, apresentou dados que posicionam o Brasil como um dos maiores consumidores de games do mundo, com cerca de 95 milhões de jogadores e uma receita bilionária. No entanto, segundo ele, o país ainda enfrenta o desafio de converter esse consumo em uma produção nacional robusta.

Para Eúde, essa transformação necessita de uma virada de chave, que está na profissionalização dos estúdios enquanto empresas, superando o foco puramente técnico e abraçando a gestão e a propriedade intelectual como ativos estratégicos. Ele identificou como principais obstáculos a dificuldade de retenção de talentos e o descompasso entre o ciclo de desenvolvimento de um jogo e os modelos tradicionais de crédito bancário, que se mostram obsoletos para a realidade da economia criativa.
Em resposta a esses desafios, o gestor detalhou que o Sebrae investe na promoção de ações de governança, acesso ao mercado e trilhas de capacitação segmentadas, com o objetivo de estruturar os estúdios desde a formalização até a escala global e a atração de investimentos. “Nós entendemos que games são negócios. O estúdio é uma empresa e precisa de competências de gestão. Nosso objetivo é pavimentar o caminho para que o talento criativo brasileiro se transforme em estúdios de sucesso. O desenvolvedor domina a técnica; o Sebrae entra com a gestão para tornar esse negócio sustentável e competitivo mundialmente”, afirmou Eúde.
Igor Rachid, presidente da Abring, não escondeu o entusiasmo com o sucesso do evento e a profundidade dos conteúdos apresentados. Para ele, o êxito desta segunda edição do Bring Talk é reflexo direto de uma parceria cada vez mais estreita com o Sebrae, instituição que entende que o setor de games não funciona apenas como entretenimento, mas como uma indústria estratégica. “O Sebrae hoje enxerga os jogos eletrônicos como uma indústria viva e vibrante. Nossa missão, com este apoio, é transformar o ecossistema em um grande estúdio criativo, onde não vamos apenas desenvolver projetos, mas ensinar o caminho para que novos talentos conquistem o mercado com excelência”, explicou Rachid.

Quem também comemorou a realização do evento foi Carlos Victor, o Cacá, atual coordenador executivo do Brasília Game Hub, principal ambiente de inovação focado no setor no Distrito Federal. Segundo ele, embora a indústria de games no Brasil possua uma trajetória consolidada, ainda carece da visibilidade necessária para alcançar seu pleno potencial econômico.
Cacá também celebrou o estágio atual da parceria, na qual o Sebrae atua como o principal agente de capilaridade, levando qualificação e informação estratégica para desenvolvedores de todos os portes, garantindo que o talento técnico seja acompanhado de sustentabilidade financeira. “A indústria de games é rica, mas precisa ser evidenciada. O Sebrae é o grande motor dessa transformação ao atuar como o principal ator de qualificação. É esse suporte que garante que o talento nato do desenvolvedor se transforme, efetivamente, em um modelo de negócio sustentável e competitivo”, complementou Cacá.
Cláudia Bonifácio, gestora do projeto Sebrae Conecta Games, comentou que a segunda edição do Sebrae & Bring Talk superou as expectativas ao reunir um total de 90 participantes, representando um crescimento de 50% em relação à primeira edição, realizada em 2025, que contou com aproximadamente 60 empresários e profissionais do setor. “Esse resultado demonstra que a constância é um dos principais fatores para o fortalecimento do ecossistema de games. A cada edição, ampliamos o alcance dos debates, abordamos temas estratégicos para os estúdios e criamos oportunidades para que os próprios desenvolvedores compartilhem suas experiências e conquistas”, observou.

Ainda segundo ela, para esta segunda edição, a organização abriu espaço para a exposição de jogos desenvolvidos por empreendedores locais, ampliando a visibilidade dos negócios e incentivando conexões entre estúdios, desenvolvedores, investidores e parceiros. “Muitas vezes, as oportunidades surgem dentro do próprio ecossistema, e criar esses ambientes de interação é uma das missões do projeto Sebrae Conecta Games”, acrescentou.
“Estamos construindo, encontro após encontro, uma comunidade mais preparada, conectada e competitiva, contribuindo para consolidar Brasília como uma referência nacional no desenvolvimento de jogos digitais”, concluiu Cláudia.
Os participantes
Em meio ao público presente ao Sebraelab estava Gabriel Leite, desenvolvedor brasiliense com mais de uma década de experiência. Ele levou ao evento o seu mais novo projeto, o game The Tale of Mara and Moa, título que une a nostalgia dos clássicos de exploração dos anos de 1990 com uma identidade visual e cultural profundamente brasileira. “Nosso jogo abraça a brasilidade: você explora masmorras como nos clássicos, mas também faz uma tapioca de banana ou um peixe com açaí para avançar de fases”, revelou.
O jogo foi desenvolvido de forma independente desde 2020 como um projeto paralelo à sua carreira de programador. O título tem lançamento previsto para o segundo semestre deste ano em múltiplas plataformas, como a Steam.

Gabriel Leite também comentou sobre o apoio do Sebrae ao setor, ressaltando que o suporte institucional tem sido um divisor de águas para os pequenos estúdios do Distrito Federal ao facilitar não apenas a exposição local, mas a inserção em grandes palcos nacionais e internacionais, como a Gamescom Latam, evento que ocorreu em São Paulo entre o final do mês de abril e o início de maio.
“A parceria com o Sebrae tem rendido frutos concretos para os pequenos estúdios do Distrito Federal. É o suporte necessário para profissionalizarmos nossa gestão e buscarmos visibilidade em grandes eventos nacionais e também internacionais; uma forma de garantir que a produção local tenha fôlego para competir em escala global”, destacou o desenvolvedor.
Outro profissional presente ao evento foi Pedro Rocha, que representa a nova safra de desenvolvedores brasilienses que transformam projetos acadêmicos em negócios promissores. Ele é um dos nomes por trás da criação do game Trickster’s Crown, título que resgata a essência desafiadora dos antigos arcades, no qual a sobrevivência e a alta pontuação são as métricas de sucesso. O trabalho carrega o selo de Melhor Jogo do DF e começou a ser idealizado em um evento promovido pelo Centro Universitário IESB, no ano passado.

Aos 24 anos e já envolvido em projetos de criação de outros games no estúdio Hollow Square, Pedro destaca que os desenvolvedores encontram no Sebrae o suporte estratégico necessário para amadurecer suas ideias e negócios. Ele ressalta que participar de eventos promovidos pela instituição é essencial para aprimorar o produto com a visão de investidores e especialistas, ajudando estúdios independentes a superar a informalidade e a se estruturar para a expansão. “O Distrito Federal tem muitos talentos, e o apoio do Sebrae irá nos ajudar a ganhar estrutura e expansão. Ter contato direto com especialistas e investidores nos permite refinar o negócio e preparar o estúdio para competir de verdade no mercado nacional e internacional”, pontuou Pedro.
À frente do Instituto Facilita, Vinícius Rodrigues, mais conhecido como Lipixa, e Michele Souza também acompanharam a programação do evento no Sebraelab. Os dois moram em Sobradinho e comandam o projeto Ciência em Ação, uma iniciativa que nasceu com a missão de conectar a comunidade local, em especial estudantes de escolas públicas e pessoas em situação de vulnerabilidade social, ao universo da ciência, tecnologia e inovação.
Após duas edições bem-sucedidas realizadas no primeiro semestre deste ano, a dupla agora foca na expansão do projeto e foi até o parque tecnológico buscando parceiros estratégicos para, futuramente, envolver a comunidade de Sobradinho no desenvolvimento de games. “Nossa missão é despertar o interesse dos jovens e criar oportunidades para que eles se percebam como parte desse universo e entendam que também podem ser produtores de inovação”, ressaltou Vinícius.

Para os fundadores, democratizar o acesso a essas ferramentas é um passo fundamental para que os jovens da região deixem de ser apenas espectadores e passem a ocupar espaços de protagonismo em um mercado tecnológico cada vez mais vibrante e promissor.
“A tecnologia precisa ser uma linguagem acessível para todos e não apenas para alguns grupos. Quando levamos oficinas para comunidades como Sobradinho, estamos entregando as ferramentas para que o jovem mude sua própria realidade e passe a construir soluções em vez de apenas consumir o que vem de fora. Estamos em busca de conexões e ter esse vínculo com quem já está no mercado é fundamental para que possamos expandir nosso leque de atuação e oferecer um conteúdo de ponta para os nossos jovens”, acrescentou Michele.
Brasília como epicentro da indústria desenvolvedora de games
Ainda durante as atividades do evento, representantes da Abring e o Sebrae no DF anunciaram ao público a realização do GDV Festival, previsto para ocorrer nos dias 14 e 15 de novembro, no Sebraelab. Os organizadores projetam reunir um público de até 400 pessoas, entre profissionais e entusiastas da indústria de games, e assim contribuir para consolidar a capital federal como um polo estratégico para o desenvolvimento de jogos no país.

A programação contará com workshops técnicos e palestras de expoentes do mercado, como representantes da Diorama, estúdio brasileiro que presta serviços para a PlayStation, e da BitCake, primeira empresa latino-americana a receber investimentos da gigante Riot Games.
Além do conteúdo educacional, o festival será palco da Mostra Abring, da GDV Jam e ainda de uma inédita premiação nacional.
As informações oficiais sobre as inscrições e o detalhamento da programação serão anunciadas em breve, nos canais de comunicação do Sebrae no DF e da Abring.
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Créditos das Notícias Sebrae DF
