Família denuncia negligência após morte de grávida durante parto em hospital público do DF; bebê segue internada na UTI

Por Cintia Ferreira

A família de Maria Graciana Andrade Alves, de 36 anos, denuncia negligência médica após a morte da gestante durante o parto no Hospital Regional de Samambaia, no Distrito Federal. A bebê, nascida em uma cesariana de emergência, permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal em estado grave.

Segundo os familiares, Maria Graciana estava com 41 semanas de gestação quando deu entrada na unidade hospitalar com a bolsa rompida, mas sem dilatação e sem contrações. Eles afirmam que, mesmo relatando não ter condições de passar por um parto normal, a paciente permaneceu por horas em tentativa de parto vaginal.

De acordo com o relato da família, a cesariana só foi realizada após o bebê apresentar sinais de sofrimento fetal, com queda dos batimentos cardíacos.

Durante o procedimento, segundo os parentes, Maria Graciana sofreu uma hemorragia grave, precisou passar por uma histerectomia cirurgia para retirada do útero e teve cinco paradas cardiorrespiratórias. Ela não resistiu e morreu após ser encaminhada para a UTI.

A recém-nascida também apresentou complicações. Conforme a família, a bebê nasceu sem respirar, precisou ser reanimada e segue internada na UTI neonatal. Os parentes afirmam que aguardam uma vaga para transferência da criança ao Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), unidade considerada referência para esse tipo de atendimento.

Além das críticas à condução do parto, os familiares dizem que enfrentaram dificuldades para obter informações sobre o estado de saúde da gestante. Segundo eles, durante toda a madrugada não houve atualização por parte da equipe médica e a confirmação da morte ocorreu apenas pela manhã, quando uma psicóloga da unidade conversou com a família.

Ainda conforme o relato, nenhum integrante da equipe responsável pelo atendimento teria prestado esclarecimentos técnicos sobre a evolução do quadro clínico da paciente.

A Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal informou, por meio de nota, que o caso está sendo apurado. Segundo a pasta, caso sejam identificadas falhas na assistência ou indícios de negligência, serão adotadas as medidas administrativas e disciplinares cabíveis, com a responsabilização dos envolvidos.

A secretaria acrescentou que não pode divulgar informações específicas sobre o atendimento em razão do sigilo do prontuário médico e da legislação que protege a privacidade dos pacientes.

Nos últimos anos, outras famílias também denunciaram supostos casos de negligência envolvendo gestantes e recém-nascidos atendidos no Hospital Regional de Samambaia.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *