Preso beneficiado por ‘saidão’ é suspeito de matar mãe adotiva e sequestrar jovem no DF

Um detento beneficiado pela saída temporária do Dia dos Pais é suspeito de matar a mulher que o acolhia como filho e, depois, sequestrar e estuprar uma jovem de 19 anos, em crimes ocorridos na segunda-feira (10), em Samambaia e São Sebastião, no Distrito Federal.

Leonardo Ferreira de Almeida, de 44 anos, que cumpria pena por outro homicídio, teria assassinado Francisca Almeida, de 70 anos, dentro da casa dela, em Samambaia, e fugido do local levando uma das jovens que estava na residência. Câmeras de segurança registraram o momento em que ele sai do imóvel acompanhado da vítima e entra em um carro.

A jovem foi levada para uma área de mata no Morro da Cruz, em São Sebastião, onde teria sido novamente violentada.

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga as circunstâncias da fuga e apura, inclusive, se o veículo utilizado por Leonardo era de transporte por aplicativo.

A gravação é analisada pelos investigadores como parte da apuração dos crimes ocorridos na residência e da fuga do suspeito.

Jovem foi levada para área de mata

Depois de deixar a casa de Francisca, Leonardo teria levado a jovem de 19 anos para uma região de mata no Morro da Cruz, em São Sebastião, área rural do Distrito Federal.

Segundo os relatos obtidos pela reportagem, a mulher também teria sido vítima de violência sexual no local. Após o crime, Leonardo fugiu.

Mesmo ferida, a jovem conseguiu procurar ajuda e foi atendida por um comerciante da região. O estado de saúde dela não havia sido divulgado até a última atualização.

A polícia tenta localizar o suspeito e esclarecer toda a dinâmica dos crimes.

Como foi a sequência dos crimes

De acordo com familiares e relatos repassados à investigação, Leonardo havia recebido o benefício da saída temporária na quinta-feira (6). Ele deveria retornar ao sistema prisional na segunda-feira (10), após o período de liberdade concedido pelo chamado “saidão” do Dia dos Pais.

Familiares afirmam que, em outras ocasiões em que recebeu o benefício, Leonardo costumava permanecer na casa de Francisca, em Samambaia. A idosa conhecia o homem havia cerca de dez anos e, segundo os parentes, costumava ajudá-lo.

Na segunda-feira, entretanto, a situação teria terminado em violência. Segundo relatos de familiares, Leonardo teria prendido Francisca em um quarto localizado nos fundos da residência. As informações também apontam que três jovens que estavam no imóvel teriam sido amarradas, dopadas e violentadas sexualmente.

Uma das mulheres conseguiu se desvencilhar e fugir da casa. Depois disso, Leonardo teria deixado o imóvel acompanhado de outra jovem, de 19 anos.

A vítima foi levada até a região de São Sebastião, onde, segundo o relato, sofreu nova violência sexual.

Família diz que Francisca tentou ajudar Leonardo

Familiares contaram que já haviam alertado Francisca sobre a convivência com Leonardo e recomendado que ela se afastasse dele. Segundo os parentes, porém, a idosa tinha o hábito de acolher pessoas que precisavam de ajuda. “Ela tinha mania de cuidar de todos que precisavam e era sempre muito caridosa”, relatou um familiar.

Regina Maria Almeida, irmã de Francisca, afirmou que Leonardo cumpria pena por feminicídio. Segundo ela, o homem teria sido condenado após matar uma mulher.

A família ainda tenta entender como o detento, que estava em cumprimento de pena, conseguiu retornar à casa de Francisca durante a saída temporária e, posteriormente, cometer os crimes investigados.

‘Ele matou a mulher que chamava de mãezinha’

Francisca era tratada por Leonardo como uma espécie de mãe. Segundo a filha dela, Francivânia Almeida, a idosa conhecia o homem havia aproximadamente dez anos e costumava ajudá-lo. “Minha mãe gostava de ajudar os outros e ela conhecia o Leonardo há 10 anos. Ele matou a mulher que chamava de ‘mãezinha’”, disse Francivânia, emocionada.

A filha contou que a família chegou a alertar a mãe sobre o passado de Leonardo, mas Francisca acreditava que poderia ajudá-lo. “Alertamos sobre ele, mas minha mãe disse que não importava o crime, o importante era acolher, para que as pessoas pudessem ser reeducadas”, relatou.

Segundo Francivânia, Leonardo não aparentava ser uma pessoa violenta quando convivia com a família. “Ainda orei por ele, e acabou matando a minha mãe. Quero a foto dele estampada em tudo quanto é canto”, afirmou.

A filha também disse que encontra algum consolo no fato de que Francisca morreu mantendo aquilo que considerava uma característica dela: ajudar outras pessoas. “Tenho o alento no meu coração de que ela morreu fazendo o bem”, desabafou.

Família suspeita que música alta tenha dificultado pedidos de socorro

Uma fonte ouvida pela reportagem, sob condição de anonimato, afirmou ter escutado música em volume muito alto durante o período em que as vítimas estavam dentro da casa.

A suspeita da fonte é de que o som pudesse ter dificultado que vizinhos percebessem o que acontecia no imóvel.

A Polícia Civil deverá reunir depoimentos, imagens de câmeras de segurança e outros elementos para reconstruir o que ocorreu dentro da residência. “Minha mãe deve ter sido muito judiada”, diz filha.

Regina Maria Almeida, outra filha de Francisca, afirmou que acredita que a mãe tenha sofrido violência antes de morrer. Muito abalada, ela disse que a família ainda tenta lidar com a brutalidade do crime e com a forma como Leonardo teria agido contra uma mulher que, segundo os parentes, o acolheu e ajudou durante anos.

O neto da vítima, Gustavo de Brito Rodrigues, também lamentou que Leonardo não tenha retornado ao presídio na data prevista. “Mas ele não voltou e acabou fazendo essa barbárie”, afirmou.

Investigação

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga o assassinato de Francisca, as denúncias de violência sexual contra as jovens e o sequestro da mulher de 19 anos. Os investigadores também tentam determinar como Leonardo deixou a casa, identificar o veículo utilizado na fuga e localizar o suspeito.

As denúncias de estupro e os demais crimes atribuídos ao suspeito ainda são objeto de investigação. A defesa de Leonardo não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.

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